Colombianos vão às ruas em ato contra violência

Milhares de pessoas tomaram as ruas dasprincipais cidades da Colômbia, nesta quinta-feira, em protestocontra a violência, em uma jornada em que a maioria dosparticipantes exigiu aos ex-comandantes paramilitares queconfessem seus crimes de guerra. Homens, mulheres e crianças, alguns vestidos de preto e combandeiras da Colômbia, levaram em suas mãos fotografias defamiliares assassinados ou desaparecidos por paramilitares deextrema direita. A mobilização, no entanto, não teve o mesmo apoio que a de4 de fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas saíramàs ruas contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc), pedindo o fim da violência e a libertação desequestrados. As duas marchas, na opinião de analistas, evidenciaram apolarização que se registra no país, onde o conflito internoviolento, de mais de quatro décadas, resultou na morte demilhares de pessoas. "Desejo que alguém me diga onde está meu filho", disseAngélica Yépez, que participou do protesto e carregava a fotodo filho desaparecido, segundo ela, pelas mãos deparamilitares. Segundo o analista político e jornalista Rodrigo Pardo, amobilização não contou com o mesmo apoio daquela realizada emfevereiro devido à atual situação do país, que enfrenta umacrise com o Equador e com a Venezuela. A crise foi detonada nofim de semana, depois de a Colômbia bombardear um acampamentodas Farc em território equatoriano. O governo do presidente Álvaro Uribe não deu o mesmo apoioa esta passeata, e alguns de seus funcionários sugeriram queestaria sendo promovida pela guerrilha de esquerda. Em cidades como Washington, Paris e Quito também houvemobilizações. Em algumas cidades da Colômbia, os participantes lançaramfrases contra Uribe, que em meados de 2003 iniciou umanegociação de paz com os esquadrões paramilitares que permitiuque mais de 31.000 combatentes entregassem as armas, enquantoantigos comandantes desses grupos armados ilegais permanecempresos. Mas grupos de direitos humanos questionam a negociação naqual se estabeleceu uma pena máxima de entre 5 e 8 anos deprisão para os antigos comandantes paramilitares acusados deassassinatos, massacres, sequestros, torturas edesaparecimentos. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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