Com 91% dos votos apurados, Equador aprova nova Constituição

Projeto constitucional que amplia poderes de Correa é endossado por 64% dos eleitores; 28% votam contra

Efe e Reuters,

29 de setembro de 2008 | 18h28

O "sim" à nova Constituição, promovida pelo governo do Equador, alcançou 64,02%, com 91,53% dos votos apurados, no referendo realizado no domingo no país, informou hoje o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). Com o percentual apurado, o "não" à Carta Magna, impulsionado pela oposição, obteve 28,09%, enquanto o voto nulo chega a 7,18% e o voto em branco a 0,72%, segundo o TSE. Veja também:Chefe da Constituinte convida oposição para diálogo no EquadorEquador pode parar de pagar 'dívida ilegítima', diz CorreaCom 80% dos votos apurados, Equador respalda ConstituiçãoEspecialista explica situação do país  Em números absolutos, o "sim" recebeu até o momento 4.343.742 votos, enquanto o "não" acumulou 1.905.644 votos. De um total de 38.901 Juntas Receptoras de Votos (JRV), o TSE já concluiu a contagem em 35.606 mesas eleitorais. A apuração do Tribunal confirma a vitória do "sim" no referendo, embora varie o percentual, anteciparam pesquisas de boca-de-urna reveladas domingo à noite horas após o fim do processo de votação, às 17h (19h em Brasília). O TSE prevê concluir ainda nesta segunda a contagem preliminar e deverá anunciar os resultados oficiais definitivos em um máximo de dez dias. Um total de 9.754.883 equatorianos estava apto a votar no referendo realizado no domingo. De acordo com o TSE, na cidade litorânea de Guayaquil, epicentro da tensão política nos últimos dias, o "não" venceu o "sim" por uma pequena margem de vantagem. Segundo dados oficiais preliminares em Guayaquil, com 91,86% apurados, o "não" tem 46,97% (507.665 votos) e o "sim", 45,68% (493.788 votos), enquanto os votos nulos chegam a 6,84% (73.935) e os brancos, a 0,51% (5.527). Controle da economia Depois da divulgação dos resultados do referendo, o presidente do Equador, Rafael Correa, prometeu nesta segunda-feira valer-se de seus poderes ampliados para controlar melhor a economia do país.  Correa, um economista que estudou nos EUA e que é aliado do presidente de esquerda da Venezuela, Hugo Chávez, repetiu sua plataforma nacionalista ao prometer ser duro com os investidores estrangeiros, especialmente no forte setor de petróleo do país.  O dirigente avisou aos credores que só fará pagamentos de parcelas da dívida se tiver dinheiro suficiente depois de ter gastado parte da renda do petróleo com programas de saúde e educação voltados para a maioria pobre do país andino.  Correa disse ainda às empresas de petróleo estrangeiras que as impediria de reduzir seus investimentos no Equador, um membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), ao obrigá-las a alterar seus contratos a fim de entregar uma fatia maior de seus lucros ao governo. E o presidente descreveu um rígido projeto tributário para o nascente setor de mineração do país.  No entanto, e apesar de suas declarações duras, Correa evitou anunciar políticas mais radicais e assegurou os investidores de que evitaria um calote da dívida ou a nacionalização do setor petrolífero.  A nova Constituição representa um marco fundamental na campanha do presidente para ampliar a participação estatal nos lucros auferidos pelos setores petrolífero e minerador. A Carta Magna também ajudará o presidente em seus esforços para debelar a instabilidade política no Equador, onde se elegeu dois anos atrás prometendo tirar do poder as elites corruptas.  A vitória no referendo de domingo centraliza os poderes ao redor dele e o permite disputar uma reeleição em 2009. A instabilidade política no país assistiu a presidentes serem afastados do cargo por manifestações de rua, pela ação de militares e pela ação do Congresso. 

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