Com CIDH no país, Micheletti minimiza importância da Unasul

Autoridades deram à comissão da CIDH informações sobre casos de supostas violações dos direitos humanos

Efe,

18 de agosto de 2009 | 19h16

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) continuou nesta terça-feira, 18, sua visita a Honduras para investigar violações nesse campo após a derrubada de Manuel Zelaya e se reuniram com os novos ministros da Defesa, Adolfo Sevilla, e da Segurança, Mario Perdomo. Ao mesmo tempo, o Governo do presidente de fato do país, Roberto Micheletti, diminuiu importância à posição da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) de não reconhecer as futuras eleições hondurenhas.

 

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Liderados por sua presidente, a venezuelana Luz Patricia Mejía, os enviados da CIDH chegaram nesta segunda-feira à Tegucigalpa. Hoje, ouviram de Perdomo e dos chefes policiais informações sobre a atuação das autoridades - que reprimiram violentamente vários protestos a favor de Zelaya -, disse a jornalistas o porta-voz da Polícia, Orlin Cerrato.

 

Perdomo e os chefes policiais falaram à CIDH sobre as atuações das autoridades, que dissolveram violentamente vários protestos a favor de Zelaya e detiveram vários manifestantes, disse a jornalistas o porta-voz da Polícia, Orlin Cerrato. "Especificamos cada caso e quantas pessoas foram remetidas à Procuradoria e aos tribunais, como determina a lei", assegurou Cerrato, ao comentou que "foi um encontro muito positivo para a instituição policial".

 

Segundo o porta-voz, as autoridades policiais deram aos membros da comissão da CIDH informações sobre vários casos de supostas violações dos direitos humanos. Cerrato comentou que não percebeu durante a reunião "uma linha ideológica" entre os membros da delegação, que "foram objetivos e muito profissionais".

 

A CIDH também conversou com o alto comando das Forças Armadas de Honduras, liderado pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Romeo Vásquez. Os representantes da CIDH não fizeram declarações à imprensa após as reuniões com militares e policiais hondurenhos.

 

Por sua vez, Micheletti disse que não está preocupado com o fato de a Unasul e a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) não reconhecerem as eleições previstas para 29 de novembro em Honduras e nem o novo Governo hondurenho em represália à derrubada de Zelaya, ocorrida em 28 de junho. "Não temos preocupação por eles não reconhecerem o Governo ou nossos Governos", afirmou Micheletti em uma entrevista ao "Canal 5" da televisão local.

 

Para o presidente de fato em Honduras considera que "as relações comerciais" são mais importantes que as relações diplomáticas e ressaltou que o comércio com os países de Unasul é "mínimo". "Não temos razão para buscar uma relação com eles, mas sim com os Estados Unidos, país que é o maior importador de produtos feitos em Honduras", explicou Micheletti.

 

Micheletti também acusou o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, de não ter escutado "todas as partes" antes de analisar o que aconteceu no país. Apesar disso, o presidente avaliou que o plano do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, continua sendo uma "boa alternativa", em entrevista publicada hoje pelo jornal "La Prensa".

 

Micheletti disse que deseja que "o mundo comece a compreender o que realmente ocorreu" em Honduras em 28 de junho, que, em sua opinião, foi algo "emoldurado na lei", não um golpe de Estado contra Manuel Zelaya, integrante, como ele, do Partido Liberal hondurenho.

 

Além disso, o novo Governo de Honduras anunciou que, a partir de hoje, as relações diplomáticas com a Argentina serão mediadas pela embaixada desse país em Israel. A decisão obedece a uma medida recíproca, depois que Buenos Aires informou no último dia 13 que "a relação diplomática entre Argentina e Honduras será canalizada pela embaixada hondurenha nos Estados Unidos".

 

Uma nota oficial da Secretaria de Relações Exteriores de Honduras a sua similar da Argentina diz que a decisão foi tomada "no marco da mais estrita reciprocidade". No último dia 13, o Governo da Argentina exigiu a interrupção das atividades da embaixadora hondurenha em Buenos Aires, Carmen Eleonora Ortez Williams, "por apoiar o Governo de fato de Roberto Micheletti", confirmaram fontes oficiais no país sul-americano.

 

Em Tegucigalpa, os seguidores de Manuel Zelaya voltaram a exigir nas ruas o retorno do presidente deposto. Em frente à Corte Suprema de Justiça, centenas de manifestantes também protestaram contra a possível condenação de três partidários de Zelaya acusados de terem participado de atos de vandalismo registrados na quinta-feira após um confronto com a Polícia.

 

"Depois de 52 dias do golpe, aqui ninguém se rende, seguimos em resistência até que o presidente Zelaya seja restituído no poder e que os golpistas deixem o Governo que usurparam pela força", disse à Agência Efe Rafael Alegría, dirigente camponês.

 

Alegría também é um dos líderes do movimento de resistência popular que exige o retorno de Zelaya e defende a instalação de um Assembleia Nacional Constituinte para reformar a atual Carta Magna, exatamente o que o governante deposto levaria a uma consulta popular em 28 de junho, quando foi derrubado.

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