Com Farc e Uribe pressionados, Colômbia tem ano otimista

Gestões internacionais resultam em avanços importantes para criação de acordo para troca de prisioneiros

19 de dezembro de 2007 | 21h23

O anúncio de que três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão prestes a serem libertados é por enquanto o resultado mais concreto de um ano importante para as negociações sobre uma solução para o conflito colombiano, que já dura 43 anos.Veja TambémCronologia: do seqüestro à perspectiva de liberdadeEntenda o que são as Farc Além da boa notícia para os parentes desses três seqüestrados, 2007 foi o ano em que a população do país vizinho viu a divulgação das primeiras provas de vida de 16 reféns (entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt) em um longo período de tempo. Foram essas imagens, divulgadas em novembro, que desencadearam a forte reação internacional que, no final das contas, levou ao anúncio na terça-feira, 19, de que a assessora de Ingrid, Clara Rojas, seu filho Emmanuel e a ex-parlamentar Consuelo González serão libertados.  O processo que resultou nesse desfecho começou no início do ano, quando o novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, elevou a troca humanitária na Colômbia a uma das prioridades da sua política exterior - vale lembrar que além de colombiana, Ingrid Betancourt é também cidadã francesa. Mas foi a entrada de Hugo Chávez nas negociações que resultou nos maiores avanços para o processo. Entre outras coisas, foi o presidente esquerdista venezuelano quem conseguiu com que as Farc se comprometesse em apresentar provas de vida de alguns dos reféns. Além disso, Chávez havia prometido a libertação de alguns dos seqüestrados até o fim do ano. Ainda assim, o líder venezuelano foi retirado das negociações por Uribe, após supostamente violar um dos termos do acordo com o governo colombiano e fazer contatos diretos com o comando do Exército do país. Semanas após a "demissão" de Chávez, o governo colombiano anunciou ter interceptado alguns guerrilheiros e conseguido com eles as provas de vida dos seqüestrados. Ao que tudo indica, os vídeos e cartas obtidos (entre eles imagens em que Ingrid aparece abatida e aparentemente deprimida) tinham Chávez como destino. O choque causado pelas imagens levou vários líderes internacionais a usarem a pose da recém-eleita presidente argentina, Cristina Kirchner, para reivindicar maiores esforços de ambas as partes em obter um desfecho para a questão dos seqüestrados.  O resultado das pressões veio com o anuncio da libertação dos três reféns na terça-feira, medida que os guerrilheiros descreveram como uma "retribuição" a Chávez.

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