Com inteligência e sem tiros, Colômbia resgata reféns das Farc

Em uma operação cinematográfica, usandoinformações secretas e sem realizar um único disparo, as ForçasArmadas da Colômbia resgataram na quarta-feira 15 refénsmantidos sob o poder das Farc, entre os quais a ex-candidata apresidente Ingrid Betancourt, três norte-americanos e 11membros do Exército e da polícia. A libertação ocorreu no Departamento de Guaviare, nosudeste do país, pouco depois de membros dos serviços deinteligência do Exército terem conseguido se infiltrar em umgrupo da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) encarregado de manter presos os reféns, afirmou oministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos. Os militares infiltrados convenceram os rebeldes a reuniraquelas 15 pessoas, até então divididas em três grupos, a fimde levá-las no helicóptero de uma organização humanitáriafictícia e entregá-las ao líder das Farc, Alfonso Cano. Ohelicóptero, no entanto, pertencia ao Exército. "Por meio de diferentes procedimentos conseguimosinfiltrar-nos também no secretariado", disse Santos arepórteres. Logo que Betancourt e os outros reféns ingressaram nohelicóptero em companhia de dois guerrilheiros, os militaresrenderam os rebeldes. Não foi disparado nenhum tiro. "Essa operação, batizada de Xeque, é uma operação semprecedentes que passará para a história por sua audácia esucesso. E que confere muito destaque à qualidade e aoprofissionalismo das Forças Armadas colombianas", afirmouSantos. Uma vez rendidos os guerrilheiros, o helicóptero dirigiu-seaté a cidade de San José del Guaviare, onde os refénsembarcaram em um avião que os levaria até uma base militar. "Não houve nenhum combate. Tudo isso resultou de umaestratégia militar impecável", afirmou o ministro colombiano doInterior, Fabio Valencia. "Esse é o golpe mais duro que já se desferiu contra aliderança das Farc, porque a deixou sem a possibilidade derealizar qualquer ação militar ou qualquer ação política",disse. Betancourt, ex-candidata à Presidência colombiana quepossui dupla nacionalidade (ela é francesa também), havia setransformado em um símbolo mundial do sofrimento imposto pelosequestro depois de permanecer mais de seis anos sob o poderdas Farc.

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