Com voto de vice, Senado impõe derrota a Cristina Kirchner

O Senado argentino deu um durogolpe no governo ao rejeitar um projeto que aumentava osimpostos aos exportadores agrícolas, em uma dramática decisãotomada pelo vice-presidente do país. Após 18 horas de debates, a votação do projeto entre ossenadores ficou empatada em 36 votos em plena madrugada. Coubeao vice-presidente argentino, Julio Cobos, também presidente doSenado, definir a situação. Após meia hora de suspense e visivelmente nervoso, Cobosdecidiu derrubar a proposta, promovida pelo governo dapresidente Cristina Kirchner, que assumiu há sete meses. "A presidente entenderá. Não posso acompanhar, estouatuando de acordo com minhas convicções", disse Cobos com vozentrecortada. A decisão de Cobos poderá marcar um divisor de águas noduro estilo de gestão de Cristina e de seu marido, oex-presidente Néstor Kirchner, que tem forte influência nogoverno, já que ambos praticamente não enfrentaram uma oposiçãosólida nos últimos cinco anos. O resultado da votação foi comemorado por dezenas derepresentantes do setor agrícola em um parque da cidade, ondeacompanharam os debates em telões durante todo o dia. Líderesde entidades rurais agradeceram aos produtores que, desdemarço, resistiram à cobrança do imposto com greves e bloqueiosde estradas. "Graças aos milhares de cidadãos que nos ajudaram aescrever este momento... Agora tranquilos, com maturidade, comgrandeza, vamos aproveitar esta oportunidade", disse umeufórico Eduardo Buzzi, presidente da Federação AgráriaArgentina (FAA), líder de uma das quatro entidades rurais queenfrentaram o governo.

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