Alberto Peña/EFE
Alberto Peña/EFE

Urnas fecham no Paraguai e país aguarda contagem dos votos para novo presidente

Mario Abdo Benítez e Efraín Alegre fazem a disputa presidencial; governadores, senadores e deputados também serão escolhidos

Fernanda Simas, enviada especial a Assunção, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 10h19

O Paraguai elege neste domingo, 22, seu novo presidente, 17 governadores e o novo Congresso (45 senadores e 80 deputados). A votação começou às 7h (8h em Brasília) e fechou às 16h. Os paraguaios aguardam agora a contagem dos votos. Segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas ao longo do dia, o candidato governista Mario Abdo Benítez, do Partido Colorado, aparecia na frente de Efraín Alegre, do Partido Liberal e líder de uma aliança com partidos de esquerda e de centro. 

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Mas alguns institutos ressaltam que para se confirmar esse cenário, é preciso haver uma participação de 70% dos 4,2 milhões de inscritos para votar. “Eu vou votar em Marito (como Benítez é conhecido). Ele pelo menos é sincero, os outros fazem alianças estranhas”, diz o taxista José Domínguez que deve ir votar no começo da tarde.

O governista Benítez propõe manter a política econômica do atual presidente, Horacio Cartes, e fala em realizar uma reforma do Poder Judiciário.

O opositor Alegre tenta pela segunda vez ser eleito. Nas eleições de 2013, nas quais não formou nenhuma aliança, perdeu para Cartes por 8 pontos. Neste ano, sua aliança tem como integrante a Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, o único governante não colorado desde 1947, mas que não terminou seu mandato porque foi destituído em 2012.

Em entrevista ao Estado, Alegre afirmou que um de suas propostas de governo é renegociar com o Brasil parte do Tratado de Itaipu e estabelecer os preços de acordo com valor de mercado. O candidato também afirmou querer trabalhar com Brasil e Argentina para reforçar a segurança nas fronteiras e combater o crime organizado e o tráfico de drogas.

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Em um país majoritariamente católico, Benítez e Alegre se mostram conservadores e rejeitam tanto a descriminalização do aborto como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O vencedor deste domingo assumirá a presidência em agosto.

Congresso

A votação para o Congresso chama atenção neste ano porque, segundo agências de análise de risco, é possível que o Partido Colorado perca a maioria absoluta das cadeiras, o que forçaria um eventual governo de Benítez a negociar com outros partidos para aprovar leis. A agência Control Risks afirma que a principal razão é o crescimento dos partidos de esquerda, como a Frente Guasú.

"Esse é o resultado de 10 anos de trabalho, são 5 senadores agora e eu acredito que seremos mais e continuaremos crescendo como coalizão política”, afirmou Lugo ao Estado neste domingo. Segundo pesquisas no Paraguai, a Frente Guasú pode obter mais cadeiras no Congresso que o Partido Liberal.

O ex-presidente falou ser preciso ajudar a situação na Venezuela e lembrou que o Congresso participa desse processo já que os acordos internacionais devem passar pelos senadores e deputados.

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