Comemorações não-oficiais em Cuba marcam 81 anos de Fidel

Cuba quebra protocolo e não realiza comemorações oficiais; Líder se afastou do poder há pouco mais de 1 ano

BBC e Reuters,

13 de agosto de 2007 | 09h31

Cuba deverá quebrar a tradição e não realizar comemorações oficiais para marcar o aniversário de 81 anos do presidente Fidel Castro, mas a própria população da ilha fez festa por conta própria. Uma exibição de fogos de artifício foi realizada na capital cubana, Havana, para marcar a ocasião, mas não foi planejado nenhum outro evento.   Os principais festejos este ano aconteceram no parque Lênin, um complexo recreativo ao sul de Havana, onde centenas de crianças da organização comunista Pioneros comemoraram com um enorme bolo verde com a inscrição "Felicidades, Comandante".Embora a doença de Fidel ainda seja um mistério, os cubanos parecem estar se acostumando a sua ausência e à liderança, oficialmente ainda provisória, de Raúl Castro."O Comandante não vai aparecer. Sua saúde não permite. Acho que não volta mais", disse o aposentado José Manuel, 73, que cuidava dos netos num parque do bairro de El Vedado, no centro de Havana.O Granma, jornal do Partido Comunista, publicou em sua primeira página na segunda-feira mensagens de cinco agentes cubanos presos há nove anos nos Estados Unidos, acusados de espionagem."Querido Fidel: Feliz aniversário, desde uma prisão do Império, onde o carrego todos os dias em meu coração", escreveu um deles, Antonio Guerrero.Fidel não deu sinal de vida. Nos últimos quatro meses, Fidel vem escrevendo no Granma sobre política internacional e doméstica.O jornal Trabajadores, da Central de Trabalhadores de Cuba, saiu com uma foto de Fidel e o título: "Incansável gladiador da verdade".Fidel, que governou Cuba por 47 anos antes de adoecer, evita oficialmente o culto à sua pessoa. Seu aniversário nunca foi feriado nacional nem comemorado com festas ou desfiles. Fidel não é visto em público há mais de um ano, depois de ter se submetido a uma cirurgia de emergência e ter passado o poder, temporariamente, para seu irmão, Raúl. Vários observadores acreditam que Fidel pode jamais voltar à linha de frente política. No seu último aniversário, vigílias com velas e grandes manifestações de afeto foram feitas em prol do líder convalescente. Não são divulgadas fotos de sua recuperação há mais de dois meses. As últimas fotos divulgadas mostravam que o líder cubano havia engordado um pouco, embora ainda estivesse visivelmente debilitado e com a voz soando fraca. Seu atual estado de saúde e paradeiro continuam sendo um segredo de Estado. O homem que governou o Estado comunista desde a revolução que liderou, há quase meio século, continua a marcar presença através de editoriais regulares no jornal oficial Granma. Alguns observadores acreditam que Fidel adotou um novo papel como conselheiro para decisões importantes, enquanto o seu irmão mais novo lida com o cotidiano do governo. Foi uma transição suave, mas até agora poucos sinais de mudanças são percebidos. Um discurso recente do presidente interino despertou expectativas de que algumas reformas econômicas podem estar a caminho. Agora, muitos em Cuba suspeitam que quanto mais tempo passar antes de Fidel aparecer em público, maior a probabilidade de que o equilíbrio de poder se mantenha assim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.