Comércio entre Colômbia e Venezuela se reduz a produto perecível

O comércioentre Colômbia e Venezuela reduziu-se na quarta-feira ao mínimoessencial pela crise diplomática iniciada no fim de semana.Caracas autoriza apenas a entrada de produtos perecíveisprovenientes do país vizinho. Também na quarta-feira, a Venezuela enviou tanques àfronteira em protesto contra a operação militar colombiana emterritório do Equador, que resultou na morte do número 2 dasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes. Analistas dizem que as restrições na fronteira podemagravar a escassez de produtos alimentícios na Venezuela eacelerar a inflação, que já é a mais alta do continente. As autoridades alfandegárias disseram que só produtos comoleite e frango podem passar pelos entrepostos aduaneiros de SanAntonio e Paraguachón. Cargas como roupas e máquinas estãoretidas. Caminhoneiros e transportadoras se queixam da falta deinformações por parte do governo venezuelano, que por sua vez éambíguo a respeito do tema. "Não recebemos quaisquer instruções de fechar a fronteira",disse o ministro da Defesa, Gustavo Rangel, em entrevistacoletiva, contradizendo o ministro da Agricultura, Elias Jaua,que havia anunciado o fechamento da fronteira. A entidade Cavecol, de Caracas, que promove o comérciobilateral, pediu que os dois países se apressem em resolver acrise e levem em conta as consequências para 1,2 milhão depessoas que vivem do comércio entre Venezuela e Colômbia. "Aqui vivemos da fronteira, é o que nos dá de comer. Se afecham, não sei como vamos fazer", disse Yelis Parra, 45 anos,mãe de quatro filhos e dona de um restaurante em San Antonio. O comércio colombiano com o Equador continua normal, apesarda tensão diplomática, disse na quarta-feira o ministériocolombiano de Finanças. A Venezuela enfrenta problemas de abastecimento nos últimosmeses, o que empresários atribuem aos rígidos controles depreços do governo de Hugo Chávez. O governo, por sua vez, dizque a culpa é da ganância dos comerciantes, e promete combatera escassez reprimindo a venda de produtos com ágio. O PIB da Venezuela subiu 8,4 por cento em 2007, mas ainflação atingiu 22,5 por cento, puxada pelo preço dosalimentos. (Reportagem adicional de Manuel Hernandez)

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