Comércio irá acabar se Equador não pagar BNDES, diz Amorim

Quito reafirma que empréstimo de US$ 200 mi dado à Odebrecht para construção de usina não será quitado

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

14 de outubro de 2008 | 17h35

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira, 14, que, se o Equador não honrar o empréstimo que tem junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a relação comercial entre Brasil e Equador vai acabar. "Então, vai acabar o comércio entre Brasil e Equador porque o empréstimo é lastreado no CCR (Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos). Eu não entendo como deixar de pagar porque tem a garantia do CCR, que é uma garantia comercial", disse o ministro, acrescentando que, se houve uma irregularidade, ela não foi praticada pelo BNDES.  Veja também:Petrobras diz que continua negociação com o EquadorOdebrecht 'lamenta' cancelamento de contratos no Equador Equador apresenta denúncias de corrupção contra OdebrechtTermos do contrato inviabilizam calote do Equador no BNDES O presidente do Equador, Rafael Correa, alega que o crédito de quase US$ 200 milhões concedido pelo BNDES foi destinado à construtora brasileira Odebrecht para a construção da hidrelétrica de San Francisco, e não para o Estado equatoriano. Em setembro, ele disse que o governo "pensava seriamente" em não quitar o débito. Nesta terça, o secretário Nacional Anticorrupção do Equador, Alfredo Vera, voltou a dizer que o governo equatoriano não vai pagar o empréstimo. Antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegar ao hotel Taj Mahal, em Nova Délhi, na Índia, Amorim concedeu uma entrevista coletiva à imprensa na qual afirmou que é preciso ter paciência com o Equador, mas não complacência. "O que é que você quer que eu faça? Que eu invada o Equador? Temos de ter paciência, temos interesse em manter boas relações com o Equador. Agora, a paciência também num determinado momento, não estou dizendo que a gente perde a paciência, mas a gente não pode confundir paciência com complacência", disse.  Amorim ponderou que, "quando o clima não favorece, melhor não falar". E acrescentou: "Quanto mais vocês perguntam, mais dificultam as negociações, porque a tentação da retórica é muito grande. Então, um diz uma coisa, o outro quer responder mais alto e tem muita gente dando palpite. Tem muito ministro de lá dando palpite", afirmou.  Com relação a Furnas, Amorim disse que a "questão foge da realidade". E sobre os engenheiros da Odebrecht que foram expulsos do país pelo presidente Rafael Correa, Amorim disse: "A mim interessava que eles fossem liberados. Se ele (Correa) está querendo chamar os liberados de expulsos, um deles já foi liberado e voltou ao Brasil. O outro saiu da embaixada e também está liberado."  Impasse Ainda nesta terça-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que não há "clima" para retomar os projetos de cooperação com o Equador depois da expulsão da Odebrecht, segundo a agência France Presse. "Tudo na vida tem limites, se o governo brasileiro atua como amigo e recebe hostilidade deve haver uma reação e firmeza", declarou Lobão em entrevista à rádio CBN. O ministro considerou que a decisão de expulsar a construtora "não leva a nada e não fortalece as relações diplomáticas". Na segunda, o governo do Equador deu um prazo de 48 horas para que quatro funcionários da construtora brasileira deixem o país. Em 23 de setembro, o Equador anunciou a expulsão da Odebrecht, acusada de não ter feito os consertos da hidrelétrica San Francisco, paralisada desde junho. Sobre o projeto, a empresa reiterou que "desde 2 de outubro", data "anterior ao prazo previsto", resolveu os problemas que surgiram e que obrigaram à paralisação da central,  Lula e Correa  O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse na tarde desta terça que a melhor solução para os problemas enfrentados por empresas brasileiras no Equador é um entendimento direto entre os presidentes Lula e Rafael Correa.  "Tem muito ministro falando, e quando tem muita gente falando, dá cacofonia", afirmou. Ele disse que a decisão do governo brasileiro de suspender o envio de uma missão ao Equador para negociar cooperação em obras viárias não representa uma retaliação. (Com agências internacionais)

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