Comissão colombiana viaja a Washington para negociar bases

'Se afinarmos o acordo, então começa uma etapa burocrática para a assinatura do convênio', afirmou Padilla

AE-AP, Reuters e AE-DJ,

12 de agosto de 2009 | 18h53

O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Freddy Padilla, afirmou que uma comissão do país viajou nesta quarta-feira, 12, a Washington, para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos. Na pauta do encontro está o uso de bases militares colombianas pelos norte-americanos, em um convênio que tem gerado críticas na América do Sul.

 

A Colômbia espera concluir neste fim de semana um acordo militar com Estados Unidos que permitirá a soldados norte-americanos o uso bases no país andino para operações antidroga e que já provocou intensa controvérsia entre países da América do Sul.

 

"Se afinarmos o acordo, então começa uma etapa burocrática, tanto dos Estados Unidos como na Colômbia, para que os governos definitivamente tenham já a luz verde para a assinatura do convênio", afirmou Padilla, nesta quarta-feira, a repórteres na base aérea de Palanquero, no departamento de Caldas, 100 quilômetros a noroeste de Bogotá.

 

O oficial não deu detalhes sobre quantas pessoas integravam a comissão, nem com que autoridades dos EUA eles se reuniriam, mas assegurou que "se Deus nos ajuda, estará pronto" o convênio em breve.

 

Até agora, Padilla e outras autoridades dizem que pelo acordo, que se estenderia por dez anos, os militares norte-americanos teriam acesso ao uso de instalações em Palanquero e pelo menos outras seis instalações militares colombianas.

 

Palanquero esteve fora do limite das operações militares dos EUA até abril de 2008, após uma sanção por infração aos direitos humanos: um helicóptero militar colombiano que usava a base realizou um bombardeio em 1998, em um povoado no norte, deixando 17 civis mortos.

 

Um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados dos EUA, aguardando aprovação no Senado, destinaria US$ 46 milhões para obras de construção em Palanquero, que já conta com uma pista de aterrissagem de 3.500 metros, dois enormes hangares e é a base da principal dos aviões de combate da Colômbia.

 

O governo dos Estados Unidos investirá US$ 46 milhões para modernizar a base militar colombiana de Palanquero, a partir do momento em que militares norte-americanos estejam operando nela, informou nesta quarta-feira o comandante das forças armadas da Colômbia, o general Freddy Padilla.

 

Os governos dos EUA e da Colômbia negociam atualmente um acordo que permitirá aos militares norte-americanos o uso de sete bases na Colômbia. Padilla disse que o acordo poderá ser assinado até o final desta semana.

 

"Se Deus nos ajuda, o acordo estará pronto em breve para a etapa burocrática", disse Padilla. Segundo ele, funcionários dos ministérios da Defesa e do Exterior da Colômbia viajaram hoje a Washington para assinar os acordos com seus congêneres norte-americanos. Padilla disse que o Congresso dos EUA já aprovou os US$ 46 milhões que serão gastos na reforma de Palanquero.

 

Os EUA já admitiram que poderiam "fazer um melhor trabalho" para comunicar à região sobre as negociações com Bogotá. Desde o ano 2000, Washington envia auxílio para a luta antidrogas e posteriormente, contra os guerrilheiros. Sob esse programa de assistência, chamado Plano Colômbia, Bogotá já recebeu US$ 6 bilhões desde o ano 2000.

 

De acordo com as leis norte-americanas, o número de empregados do Departamento de Defesa na Colômbia não pode exceder os 800. A cifra de funcionários civis norte-americanos no país não pode passar dos 600.

 

Segundo os dados mais recentes, 600 membros das Forças Armadas norte-americanas e civis trabalham na Colômbia. Os assessores estão vinculados a divisões do Exército colombiano, têm seus próprios escritórios no comando militar e treinam centenas de tropas locais.

 

O anúncio sobre as bases foi alvo de críticas de vários governos da região. Entre eles estavam Cristina Kirchner, da Argentina, e Evo Morales, da Bolívia, que criticaram o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, por permitir que os EUA usem bases militares colombianas no combate às Farc e ao narcotráfico.

 

Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", publicada no último domingo, o vice-ministro da Defesa da Colômbia, Sergio Jaramillo, negou que os EUA instalarão bases em seu país. "Não haverá base americanas na Colômbia, de nenhum tipo", garantiu Jaramillo, apontando que houve "um grave problema de comunicação".

 

Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou em La Paz que seu país é contrário à expansão da presença militar norte-americana na região. "A República Islâmica do Irã é contrária a quaisquer bases militares estrangeiras, em qualquer lugar do mundo", afirmou Mottaki. As informações são da Associated Press.

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