Congressista dos EUA quer que Fidel seja julgado como criminoso

Uma congressista dos EUA deseja queacusações de assassinato sejam apresentadas contra FidelCastro, o agora aposentado líder cubano, como parte do queafirmou ser um esforço há muito tempo adiado para levar "oscriminosos de guerra cubanos à Justiça". A deputada Ileana Ros-Lehtinen, uma republicana do sul daFlórida nascida em Cuba, disse que Fidel deveria ser acusado deassassinato porque o governo da ilha caribenha abateu, emfevereiro de 1996, dois aviões pertencentes ao grupo deexilados cubanos Irmãos para o Resgate. Três cubano-americanos e um exilado cubano morreram quandocaças MiG do governo de Fidel derrubaram dois aviões pequenosdaquele grupo em águas internacionais. "Agora que Fidel renunciou formalmente ao cargo de chefe deEstado, abre-se o caminho para a adoção imediata de açõeslegais por parte do governo dos EUA", afirmou em um comunicadodivulgado na terça-feira a deputada, que costuma criticar Cuba. A exigência foi feita em uma carta aberta enviada aoprocurador-geral dos EUA, Michael Mukasey. Fidel, 81, hoje adoentado, anunciou na terça-feira que nãomais regressaria ao cargo de chefe de Estado, 49 anos depois deter tomado o poder em uma revolução armada. O dirigente nãoaparece em público desde que se submeteu a uma cirurgiaintestinal e entregou o poder a Raúl Castro, irmão dele, emjulho de 2006. Fidel é um ícone da esquerda mundial, e qualquer tentativanorte-americana de processá-lo poderia ser interpretada comouma manobra para humilhar o revolucionário barbudo, quesobreviveu à invasão da baía dos Porcos em 1961, uma operaçãopatrocinada pela CIA, e a várias tentativas de assassinato. Mas a medida receberia o apoio de muitos dos membros dapoliticamente poderosa comunidade de exilados cubanos de Miami,para a qual Fidel não passa de um criminoso e de um ditador. Ros-Lehtinen não disse como Fidel poderia ser levado àJustiça norte-americana para responder às acusações quelevantou. Um porta-voz do Departamento de Justiça disse não terconhecimento de quaisquer planos para acusar Fidel formalmentepela derrubada dos aviões. IMUNIDADE Apesar de nenhuma acusação poder ser apresentada sem aanuência do governo do presidente George W. Bush, cujo mandatoencerra-se em janeiro de 2009, especialistas disseram que Fidelabriu mão de qualquer tipo de imunidade ao desistir do cargo dechefe de Estado. Alguns dirigentes latino-americanos sofreram açõesjurídicas fora de seus países após terem saído do poder. Um juiz espanhol tentou, no final da década de 1990,extraditar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet de Londrespara julgá-lo por acusações de violação dos direitos humanos. E a Suprema Corte da Espanha realiza uma investigação sobreo ex-ditador da Guatemala Efraín Ríos Montt por acusações degenocídio. O país latino-americano, no entanto, recusa-se aextraditá-lo. "Esse é um caso bastante consistente", afirmou KendallCoffrey, um ex-procurador dos EUA que representou os exiladoscubanos em processos de destaque, entre os quais a batalha pelaguarda de Elián González, um menino nascido em Cuba que perdeua mãe. Elián acabou sendo devolvido a seu pai, que mora na ilhacaribenha. (Reportagem adicional de Michael Christie em Miami e JimVicini em Washington)

TOM BROWN, REUTERS

20 de fevereiro de 2008 | 12h56

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