Congresso aprova referendo para nova Constituição boliviana

Após 18 horas de discussão e vigília, Evo consegue aval para plebiscito, que acontecerá em 25 de janeiro

Agências internacionais,

21 de outubro de 2008 | 15h06

O Congresso Nacional da Bolívia aprovou nesta terça-feira, 21, a lei de convocação do referendo sobre a nova Constituição do país, que será realizado em 25 de janeiro de 2009. O presidente da Bolívia, Evo Morales, passou a madrugada desta terça em vigília ao lado de milhares de bolivianos em frente ao Congresso do país, pressionando pela aprovação.   Veja também: Conheça as mudanças no novo projeto constitucional Evo faz vigília com simpatizantes pela aprovação do referendo Fotos da marcha pró-referendo    O chefe de Estado da Bolívia chorou enquanto caminhava nas ruas centrais de La Paz junto a milhares de partidários, que comemoravam a passagem da convocação do referendo. Se aprovada, a nova Constituição deverá aumentar os poderes da maioria indígena da Bolívia, oprimida há séculos.   Para destravar a votação do referendo no Congresso, Evo concordou com a modificação de mais de 100 dos 411 artigos da nova Constituição, incluindo o referente à reforma agrária. "Concretamente, o governo aceitou corrigir mais de cem artigos do texto constitucional. Estas correções permitiram incorporar uma série de recomendações que vão anular temores de muitos setores sociais", afirmou o vice-presidente boliviano, Alvaro García Linera.     Na segunda-feira, Evo desistiu de disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2014, em troca do apoio da oposição para a passagem da convocação do referendo, fator decisivo para sua aprovação. Os 411 artigos, incluindo as modificações, foram lidos no Congresso na manhã desta terça-feira, após uma noite e madrugada ininterruptas de debates.   "Eu renunciei a ser reeleito pela segunda vez pela unidade deste país, para que vejam que não sou egoísta. Eu nunca imaginei que seria presidente. Agora posso ir até para o cemitério, porque jácumpri meu compromisso com o povo boliviano", declarou Evo, diante de milhares de sindicalistas e camponeses indígenas, que comemoravam a decisão em frente ao Congresso.  "Esse bebê não é perfeito, como muitos disseram", disse Alejandro Colanzi, deputado do Partido da Unidade Nacional, centrista e de oposição. "Mas é nosso filho e não podemos negá-lo. Talvez a vida ajude a aperfeiçoá-lo", afirmou o deputado, referindo-se ao acordo entre governo e oposição.   O acordo político permitiu que se abrisse caminho para a aprovação da data do referendo constitucional que ratificará ou não a nova Constituição, redigida em dezembro do ano passado. Se o texto for ratificado, serão realizadas eleições gerais no dia 6 de dezembro do ano que vem - um ano antes do previsto.   Com a nova Constituição os povos indígenas terão autonomia sobre suas terras tradicionais e uma fatia "prioritária" na distribuição do faturamento obtido com a venda das riquezas naturais do país.   Em um referendo convocado em agosto, Evo foi mantido na Presidência após ser aprovado por 67% dos bolivianos. Com esse forte apoio popular, espera-se que a Carta seja aprovada com facilidade.  

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