Congresso aprova referendos sobre nova Constituição boliviana

Votação foi feita em poucos minutos, já que deputados de oposição foram impedidos de chegar ao Congresso

Associated Press e Efe,

28 de fevereiro de 2008 | 22h20

Sob protestos da oposição e com a ausência de vários de seus deputados, o partido do presidente Evo Morales aprovou nesta quinta-feira, 28, no Congresso, a realização de dois referendos para votar seu projeto constitucional. O referendo será marcado para o dia 4 de maio. A maioria dos deputados da oposição foi impedida de chegar ao Congresso por manifestantes indígenas e camponeses. Os parlamentares do partido do governo Movimento ao Socialismo (MAS) votaram em poucos minutos, sem debate, as normas que convocam para as duas consultas, uma em relação à extensão de latifúndios a serem expropriados e outra para avaliar a proposta de Constituição em seu conjunto. Segundo as normas aprovadas, as consultas se realizarão no dia 4 de maio, no mesmo dia em que o referendo sobre o estatuto autônomo convocado as autoridades políticas e eleitorais da rica região opositora de Santa Cruz. Parte dos legisladores não conseguiu entrar na sessão devido a um cerco instalado nas portas do Congresso por centenas de camponeses, indígenas e mineiros que agrediram legisladores opositores e detonaram dinamite na Praça Murillo, em La Paz, sede do Parlamento e do Palácio de Governo. O Governo também votou uma iniciativa que exige que só o Congresso pode aprovar um referendo, com o que se tenta frear a consulta autonomista de Santa Cruz. A curta sessão ocorreu em meio a escândalo e gritaria. O senador opositor da força Poder Democrático e Social (Podemos), Tito Hoz de Vila, chegou a subir em uma mesa para pedir a palavra, que não lhe foi concedida. 'Acusações' Os opositores gritaram insistentemente "ditadura" e acusaram o Governo e o partido de Morales de haver cometido "um atropelo" com a votação, argumentado que a sessão era ilegal. Parte dos manifestantes reunidos na Praça Murillo chegaram ao edifício do Parlamento durante a votação e minutos depois saíram para comemorar a aprovação das três normas, após a sessão fechada declarada pelo presidente do Congresso e vice-presidente do Governo, Álvaro García Linera. Ao término da sessão, García Linera assegurou que, como presidente do Congresso Nacional, fez "todos os esforços possíveis para o diálogo". No entanto, "o que recebi durante esta semana foi a rejeição incompreensível e brutal ao diálogo" por parte da oposição, disse. As três leis aprovadas, duas sobre os referendos relativos à noa Constituição e a terceira que tenta frear a consulta de Santa Cruz, serão promulgadas nas próximas horas por Morales.

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