Congresso argentino aprova acordo com 'abutres'

Macri obteve mais de dois terços dos votos no Senado; Câmara já havia aceitado pacto

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2016 | 06h32

BUENOS AIRES - O governo de Mauricio Macri reuniu na madrugada desta quinta-feira, 31, apoio suficiente para derrubar no Senado leis que impediam o acordo com credores que não haviam aceitado a renegociação da dívida argentina, apelidados de "abutres" pela administração de Cristina Kirchner. O projeto conseguiu 54 dos 72 votos, embora o partido governista tenha só 17 senadores.

A derrogação de duas normas, que impediam tratamento diferente entre esses fundos de investimento e os credores que participaram dos acordos de 2005 e 2010, era uma exigência da Justiça americana para levar adiante um pacto firmado em fevereiro. Pelo acerto, a Argentina se comprometeu a pagar US$ 4,6 bilhões aos fundos mais resistentes, que em 2014 conseguiram bloquear na Justiça o pagamento da Argentina aos primeiros credores e deixaram o país em default técnico. O prazo para quitar a dívida com os holdouts vence em 14 de abril.

Macri também conseguiu ontem apoio suficiente para emitir títulos no valor de US$ 12,5 bilhões, com os quais pretende captar o dinheiro para "trocar de dívida" e voltar ao mercado de crédito internacional. Com minoria no Congresso, Macri obteve adesão de peronistas dissidentes. Entre os deputados, seu plano foi aprovado no dia 16 com 165 votos, embora sua coalizão tenha 90 cadeiras.

No Senado, ele conseguiu apoio superior a dois terços, o que acentuou a divisão no kirchnerismo. Na Argentina, a maioria dos governadores sofre forte influência da presidência por não ter receita suficiente para cobrir seus gastos e depender de recursos federais. A vontade do governador pesa em geral mais no voto dos senadores que a fidelidade partidária ou linha ideológica.

Mais conteúdo sobre:
ArgentinaMauricio Macri

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.