Congresso boliviano debaterá lei sobre referendo na sexta

Oposição queria iniciar diálogo para analisar projeto constitucional nesta quarta; Evo tenta aprovar nova Carta

Efe,

08 de outubro de 2008 | 14h32

O presidente do Congresso da Bolívia e vice-presidente do Governo, Álvaro García Linera, marcou nesta quarta-feira, 8, a sessão para debater a lei de convocação do referendo sobre a nova Constituição do país para sexta. Esta convocação causou mal-estar na oposição, que a considera incoerente diante da previsão de iniciar nesta quarta um processo de diálogo entre as forças políticas do Congresso para analisar o referendo constitucional.   Veja também: Oposição da Bolívia promete veto a referendo Oposição boliviana pede revisão de censo antes de referendo Para oposição, Evo Morales está 'desesperado' por reeleição    A sessão parlamentar, anunciada em um comunicado à imprensa, acontece após a reunião de terça-feira à noite entre o presidente da Bolívia, Evo Morales, e os presidentes do Senado, o opositor Óscar Ortiz, e da Câmara dos Deputados, o governista Edmundo Novillo. Nesta reunião, ficou acertado continuar as conversas no Congresso Nacional boliviano para tentar acordos em torno da nova Constituição.   A princípio, o Congresso realizará na sexta-feira uma sessão que reunirá 157 deputados e senadores, para analisar as duas consultas que são necessárias para ratificar definitivamente a Carta Magna com a qual Morales quer refundar a Bolívia. Uma das consultas se refere à superfície mínima de um latifúndio improdutivo para ser desapropriado pelo Estado (cinco mil ou dez mil hectares), assunto sobre o qual não houve consenso na Assembléia Constituinte.   A outra parte do referendo constitucional pergunta sobre o conjunto da Carta Magna, que consta de 411 artigos. Ortiz, que terça à noite disse que o diálogo no Parlamento não tinha prazos, afirmou hoje à rede de televisão "Unitel" que a convocação do Congresso "não parece coerente com a busca de uma solução".   "Ninguém acreditará razoavelmente que uma Constituição será pactuada em dois dias", disse Ortiz, cujo partido, o conservador Poder Democrático e Social (Podemos), controla o Senado, enquanto o governista Movimento ao Socialismo (MAS) é maioria na Câmara.   Ortiz reiterou que a posição do Podemos é "muito clara" no sentido de que só debaterá a convocação de um referendo sobre a Constituição "na medida em que essa esteja pronta" e que votará contra se não for assim.   A nova fase das conversas políticas na Bolívia tem como objetivo continuar o trabalho de 20 dias realizado pelo governo de Evo Morales com os governadores autonomistas em Cochabamba e finalizado no domingo sem a assinatura de nenhum acordo.   Após a reunião com as direções das Câmaras legislativas, Evo disse terça à noite que ouviu "boas vozes de parlamentares, especialmente da oposição", mas que também acredita que há observações sobre as quais "jamais haverá consenso."   De fato, o governo já rejeitou o pedido dos governadores opositores de introduzirem mudanças no projeto constitucional além dos aspectos autônomos discutidos até domingo passado. No entanto, o Executivo permitirá correções no capítulo sobre autonomia da nova Constituição em interesse de "avanços técnicos" conseguidos nas mesas de diálogo de Cochabamba.

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