Congresso de Honduras adia resposta ao plano da Costa Rica

Parecer sobre anistia a líder deposto deve ser dado na próxima 2ª após toda a sociedade ser consultada

Efe e Reuters,

30 de julho de 2009 | 13h48

O Congresso de Honduras adiou para a próxima segunda-feira sua resposta, esperada para esta quinta-feira, 30, sobre a anistia política incluída no plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para acabar com o impasse político que já se arrasta há mais de um mês.

 

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O presidente do Legislativo, Alfredo Saavedra, anunciou que a próxima sessão do organismo acontecerá no início da próxima semana, com o objetivo de que a comissão criada para analisar a proposta apresentada pelo mediador costa-riquenho promova uma consulta aos distintos setores da sociedade civil e instituições. "O importante é que todos os setores, como a Igreja Católica, a Evangélica, as empresas privadas, as câmaras de comércio, a sociedade civil em todos os aspectos, possam participar", afirmou.

 

Segundo o parlamentar, "é isso que o presidente Arias quer... Uma manifestação que seja realmente fortalecida e conte com o respaldo da maior parte do povo hondurenho". "Este é um tema sensível, que não deve ser do interesse particular de um setor e que todos os hondurenhos devem estar informados e dar suas opiniões".

 

Saavedra, presidente do Legislativo que substituiu Micheletti como titular no Parlamento, é um dos quatro funcionários que teve o visto diplomático suspenso pelos Estados Unidos por apoiar o golpe de Estado. O adiamento da sessão do Parlamento une-se ao pedido pediu por Micheletti a Arias para que o prazo de diálogo seja ampliado para resolver a crise.

 

Entre as sugestões de Arias estão a anistia política, a restituição da presidência a Zelaya e a antecipação das eleições, já rejeitada pelo Tribunal Eleitoral. O governo de facto de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, aposta que o tempo joga a seu favor. E tem boas razões para isso. Um mês depois do golpe de 28 de junho, ele se apresentava como conciliatório e aberto ao diálogo, enquanto o presidente deposto, Manuel Zelaya, permanecia na cidade nicaraguense de Ocotal - a 20 quilômetros da fronteira hondurenha - sem conseguir encontrar fórmulas para reunir os focos de resistência organizados por seus partidários.

 

Discurso leve

 

O líder de facto de Honduras pediu na quarta-feira novas negociações para que seja resolvida a crise política no país, e uma fonte afirmou que ele pode estar aberto ao retorno do presidente deposto Manuel Zelaya sob condições restritas. Robert Micheletti, nomeado pelo Congresso como presidente após o golpe que derrubou Zelaya no mês passado, pediu que um enviado especial vá a Honduras "para cooperar no início do diálogo em nosso país."

 

Pressionado pelos Estados Unidos para reverter o golpe, Micheletti aliviou o tom de seu discurso e disse que muitos hondurenhos podem ter um papel importante para ajudar a resolver a crise. "O diálogo, essa comunicação efetiva, deve incluir todas as partes da sociedade civil, nossas igrejas, grupos profissionais, grupos de estudantes, associações comerciais, mídia, partidos políticos", disse ele em comunicado lido na televisão.

 

Micheletti pediu que o mediado Oscar Arias, presidente da Costa Rica, envie a Honduras Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, para intermediar as negociações, que no momento estão mortas. Micheletti afirmara diversas vezes que o governo, a Suprema Corte e o Congresso estavam firmemente contra o retorno de Zelaya, e que isso nunca aconteceria, mas seu tom pode estar mudando. Uma fonte ligada ao governo de facto disse que o líder interino agora pode estar considerando a volta de Zelaya, se tiver garantias de que o presidente deposto não vai tentar enfraquecer a democracia.

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