Esteban Felix/AP
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Congresso de Honduras declara Micheletti 'deputado vitalício'

Presidente de facto recebeu a condecoração por ter sido eleito sete vezes para o Legislativo, desde 1981

AE-AP,

14 de janeiro de 2010 | 13h50

O Congresso de Honduras condecorou, na noite de quarta-feira, 13, o presidente de facto Roberto Micheletti. Na homenagem, o político recebeu o título de "deputado vitalício", por ter sido eleito sete vezes para o Legislativo, desde 1981. O título é apenas uma condecoração, sem resultado prático.

 

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Micheletti chegou ao poder na esteira do golpe de Estado que derrubou o presidente Manuel Zelaya, em junho do ano passado. O Congresso o apontou um "grande homem e grande cidadão de Honduras".

 

Em uma cerimônia especial, o presidente do Legislativo, José Saavedra, disse que Micheletti "tem se destacado por sua inspiração democrática, liderança natural e respeito à constituição das leis". Segundo Saavedra, "sob sua liderança se manteve a paz no país".

 

Em seu discurso, Micheletti disse que "foi triste e doloroso suportar governos e personagens que seguem me acusando, mas fiz o certo, o legal e o legítimo...e o povo sempre me acompanhou". Micheletti disse ainda que, por fim, "se impôs o bom senso e a razão...e já está havendo a reincorporação de Honduras no consórcio das nações".

 

A declaração foi uma aparente alusão ao fato de que a Organização dos Estados Americanos (OEA) retirou Honduras de seus quadros, após o golpe militar de 28 de junho de 2009. Nessa data, o Congresso designou Micheletti como substituto. Zelaya voltou ao país e desde 21 de setembro está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

 

Militares

Os seis generais da junta de comandantes das Forças Armadas estão dispostos a comparecer voluntariamente nos tribunais, por retirar do país Zelaya após o golpe, segundo o advogado dos militares. Eles foram indiciados pelo Ministério Público por delitos como abuso de autoridade e expatriação ilegal, este com pena prevista de 3 a 6 anos de prisão.

 

"Contamos com evidências suficientes para demonstrar a inocência de nossos clientes", disse o advogado dos oficiais, Juan Carlos Sánchez. Os acusados são o chefe do Estado-Maior Conjunto, Romeo Vásquez, e os comandantes Luis Prince, da Força Aérea; Miguel Angel García, do Exército, e Juan Pablo Rodríguez, da Aeronáutica. Também os comandantes Venancio Cervantes, subchefe do Estado-Maior, e Carlos Antonio Cuéllar, inspetor das Forças Armadas.

 

Zelaya qualificou recentemente o processo contra os militares como uma farsa. O Ministério Público rebateu as críticas. O governo de facto afirma que os militares acataram a ordem de captura contra Zelaya, emitida pela Suprema Corte. O então presidente tentava convocar uma Assembleia Constituinte a fim de reformar a Carta do país e poder concorrer à reeleição.

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