Congresso equatoriano marca referendo sobre nova Constituição

Os aliados do presidenteequatoriano, Rafael Correa, propuseram no final da quinta-feirauma nova Constituição que, se aprovada em referendo a serrealizado em setembro, aumentará os poderes presidenciais. O Congresso do país, em uma votação marcada por muitosaplausos, sancionou um projeto de Carta Magna que aumenta olimite de vezes que um presidente pode ser eleito e amplia ainfluência do detentor do cargo sobre a economia, o PoderLegislativo e o Judiciário. O texto era debatido havia oitomeses no órgão dominado pelos governistas. Correa, um economista que tomou posse no ano passadoprometendo combater as elites política e empresarial do país,precisa de uma nova Constituição para proteger-se do tipo deofensiva judicial e parlamentar que derrubou vários de seusantecessores. A oposição, atualmente dividida, acusa-o de ser umautocrata que capturou as redes de TV, desapropriou empresas efechou o Congresso. Os adversários acusam-no de tentar aumentarseus poderes de forma semelhante ao aliado dele da Venezuela,presidente Hugo Chávez. Correa é de longe a figura política mais popular desse paísexportador de petróleo, e pesquisas indicam que o dirigenteconta com boas chances de vencer o referendo. Mas terá de fazeruma campanha intensa para angariar votos antes de ter a certezada vitória. "Nós vamos vencê-los no dia 28 de setembro. Não vamosdeixar que um bando de mafiosos nos domine para sempre", disseo presidente antes de o Congresso de 130 membros aprovar oprojeto. Se a nova Constituição for de fato adotada, Correa serácapaz de ser reeleito de forma a continuar no poder até 2017. Nos dez anos que antecederam a subida dele ao poder, todosos presidentes eleitos no Equador viram-se forçados a deixar ocargo antes do final de seu mandato devido a pressões vindas demanifestações populares, do Congresso e do Judiciário. Correa refaz os passos de outros líderes esquerdistas daAmérica Latina --Chávez, na Venezuela, e Evo Morales,presidente da Bolívia--, que fortaleceram seus governos comnovas Constituições e que apelaram aos milhões de pessoasdesencantados com os vários anos de governo das elitestradicionais. O líder equatoriano argumenta que a nova Constituiçãoajudará seu governo a eliminar a influência da elite corruptasobre as instituições políticas e a redistribuir a riqueza coma maioria pobre do país.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.