Conheça os programas sociais apoiados por Hugo Chávez

Presidente usa a renda do petróleo para financiar projetos que melhoraram a qualidade de vida no país

Agências internacionais,

13 de fevereiro de 2009 | 15h29

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é popular no país principalmente pelos projetos sociais que investe com a renda da exportação do petróleo, já que é um dos integrantes da Opep. Desde que o Chávez assumiu o governo, a área social passou a ser prioritária em sua gestão. Os programas são financiados com a receita excedente do petróleo e contam com estruturas e dinâmicas próprias, que obedecem fundamentalmente às diretrizes da Presidência da República, sem passar pelo filtro dos ministérios. Conheça alguns programas sociais que melhoraram a qualidade de vida dos venezuelanos:   Veja também: A dinastia Chávez  Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez Veja os possíveis cenários criados pelo referendo de Chávez   PobrezaChávez, que cresceu na zona rural com sua avó, afirma que sua maior conquista foi eliminar a pobreza na Venezuela. Números do governo apontam que o número de pobres foi reduzido pela metade desde que assumiu o poder em 1999. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas, em 1999, 20,1% dos venezuelanos viviam na extrema pobreza. Em 2007, o índice havia caído para 9,5%. O número de pobres total no início do governo era de 50,5 % - mais de 11 milhões de venezuelanos. Esse número caiu para 31,5%. De um universo de 26,4 milhões de pessoas, 18,8% dos venezuelanos saíram da linha da pobreza (cálculo realizado com base nos dados oficiais). Críticos apontam que a diminuição está mais ligada ao aumento do preço do petróleo do que como consequência de suas políticas   Saúde Chávez construiu milhares de pequenas clínicas, até mesmo nas regiões mais remotas da Venezuela. O governo comunista cubano enviou 15 mil médicos para as equipes das unidades médicas venezuelanas em troca de petróleo mais barato para Cuba. Esse é possivelmente o programa mais popular do presidente e foi expandido para incluir grandes instalações com um número maior de serviços de saúde prestados, embora críticos apontem que muitas das clínicas sejam apenas de fachada.   O "Bairro Adentro" foi um programa social implementado pelo governo em 2003. Esta "missão", que presta atendimento médico básico e familiar nas periferias do país, inaugurou o projeto de cooperação Cuba-Venezuela, que hoje está presente nas áreas de saúde, educação e esporte.   Educação Chávez ampliou o sistema de educação, abrindo uma rede de universidades públicas para garantir educação de nível superior e gratuita para os mais pobres e lançou as chamadas "missões" de professores para ensinar os mais velhos a ler. Críticos afirmam que a qualidade da educação oferecida é baixa e a oposição acusa Chávez de usar as escolas para fazer propaganda de seu governo.   O "Bairro Adentro" serviu de modelo para as outras "missões", que abrangem as áreas de educação básica, superior e profissionalizante, de auxílio às mães solteiras, de subsídio alimentar, entre outras. Em 2005, na metade do governo Chávez, o Ministério de Educação declarou o país "livre de analfabetismo" com a aplicação do método cubano "Yo sí puedo", metodologia aplicada recentemente na Bolívia e em algumas áreas do nordeste do Brasil. De acordo com o governo, 1,6 milhões de adultos foram alfabetizados no período de dois anos. Ainda segundo o governo, 3,4 milhões de pessoas foram graduadas nas "missões" educativas.   Alimentação Um dos primeiros sucessos de Chávez no país foi a abertura de milhares de supermercados que vendem produtos subsidiados nas vizinhanças mais pobres. Porém, o preço dos alimentos subiu rapidamente nos últimos anos apesar do controle estatal. Uma combinação do boom de consumo na Venezuela e a redução de produtos primários fizeram com que alimentos básicos como leite e frango sumissem das prateleiras em 2007, minando a popularidade do governo. No ano passado, Chávez inaugurou um novo sistema de distribuição de alimentos, financiado pela companhia de petróleo estatal e que foi bem sucedido nas prateleiras de produtos.   Economia baseada no petróleo   O petróleo é responsável por 94% das exportações venezuelanas e metade do orçamento do governo do presidente Hugo Chávez. É com o dinheiro da estatal venezuelana PDVSA que Chávez financia seus programas de ajuda a países como a Bolívia e a Nicarágua e projetos sociais como as missões na área de educação e saúde. A queda no preço da commodity podem afetar o pagamento das dívidas da empresa e provocar a dispensa de muitos empregados. Cerca de 5 mil já foram demitidos e outros 5 mil estão sem receber salários, segundo afirmam os sindicatos.   A queda nos preços do petróleo dos últimos meses, cujo barril chegou a US$ 150, deixou a PDVSA com as contas no vermelho. O aumento das dívidas ameaça paralisar parte das atividades de exploração de petróleo no país. As faturas não pagas pela PDVSA a prestadoras de serviços atingiram US$ 8 bilhões. Segundo a PDVSA, os pagamentos estão atrasados porque as prestadoras de serviço aumentaram seus preços em até 40% quando a cotação do petróleo estava em seu patamar mais alto.   Um dos principais problemas da economia venezuelana é o controle de câmbio, implementado em 2003. Com o bolívar cotado a US$ 2,15, ao mesmo tempo que o governo conseguiu conter a fuga de capitais no período de instabilidade política, o controle cambial trouxe como consequência uma supervalorização da moeda, um dos fatores que impedem a diversificação da economia. Na prática, para o governo é mais barato importar que produzir, lógica que foi incrementada para suprir o déficit na oferta de alimentos e de outros bens e serviços ocasionados pelo aumento da demanda dos últimos anos. Impulsionado pelo crescimento da economia, de 1998 a 2007 o consumo dos venezuelanos se incrementou em 18,7%, de acordo com o ministério de Finança

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