'Conselho da Unasul deve intervir e monitorar', diz Equador

Para ministro da Defesa equatoriano, fórum de defesa se transformou em algo de alto conteúdo político

João Paulo Charleaux, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2009 | 07h33

Qual o futuro do Conselho de Defesa depois do impasse de Bariloche?

O conselho, como foi pensado no início, mudou. Ele foi idealizado pelo Brasil como um fórum para discutir a modernização das Forças Armadas, o desenvolvimento da indústria bélica, a capacitação e homologação de carreiras militares, mas se transformou em algo de alto conteúdo político. Agora, nós já falamos na criação de um mecanismo de confiança mútua que permita ao conselho intervir nos outros países e monitorar suas estratégias militares.

 

Como seria essa intervenção?

Esse termo é perigoso. Eu prefiro falar em monitoramento e vigilância. São medidas de confiança mútua, tanto no que diz respeito aos planos de desenvolvimento militar quanto aos equipamentos, instalações, convênios militares e manobras conjuntas.

 

Que medidas são essas?

Elas abordam o fluxo de informação e a possibilidade de visitas de verificação. Contudo, o mais importante é desenvolver programas comuns que criem uma confiança real. Do contrário, tudo isso pode ter um sabor de desconfiança.

 

Como um país-membro do conselho pode ser forçado a aceitar visitas de monitoramento como as que o sr. está propondo?

É cedo para dizer se os países aceitariam ou não essas verificações. Na reunião de Quito, faremos essa ideia avançar, mesmo que de forma paulatina. Não se trata, porém, de impor um código detalhado que funcione como uma camisa de força.

 

O sr. diz que depois de Bariloche a proposta que o Brasil fez ao criar o conselho ficou em segundo plano?

Há uma outra dimensão, mais quente, que cria mais expectativas públicas. Os dois aspectos, porém, tentam criar uma região de paz.

 

Os acordos de Chávez com a Rússia e o Irã não o preocupam?

Uma coisa é ter um convênio que permite a presença permanente de uma força externa na região. Outra coisa é fazer operações militares conjuntas como as realizadas entre Rússia e Venezuela. Todos os países têm o direito pleno de manter relações seja no plano comercial, cultural ou militar com todos os países do mundo.

 

Mesmo quando Chávez diz que suas bases militares estão permanentemente abertas aos russos?

É preciso diferenciar o discurso da prática quando se trata de Chávez. Existem dois Chávez: um que fala, outro que age.

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