Constituição é aprovada em meio a distúrbios na Bolívia

Mais de 100 pessoas ficaram feridas em quase 48 horas de enfrentamentos nas ruas de Sucre

EFE

25 de novembro de 2007 | 01h51

A maioria governista da Assembléia Constituinte boliviana aprovou neste sábado, em um colégio militar e à revelia da oposição, o projeto da nova Carta Magna do presidente Evo Morales, apesar dos distúrbios que já deixaram uma pessoas morta e quase 100 feridas. Aprovaram a nova Constituição em primeiro debate (falta a votação artigo por artigo) 136 dos 138 constituintes presentes, de 255 escolhidos em 2006 em um pleito no qual o partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), obteve 50,7% dos votos. Após a leitura do índice da nova Carta Magna, sem detalhes do texto, a maioria governista realizou uma votação com as mãos ao alto e não houve comprovação do voto, mas a presidente do fórum, a camponesa Silvia Lazarte, disse que a aprovação foi respaldada por 136 dos 138 constituintes presentes, de 255 escolhidos em 2006. Há cerca de 100 feridos em quase 48 horas de enfrentamentos entre policiais e universitários nas ruas de Sucre, capital oficial da Bolívia (embora o Governo e o Parlamento estejam em La Paz). O presidente do Conselho Municipal de Sucre, Fidel Herrera, disse que poderia haver mais um morto, mas essa versão não foi confirmada por outras fontes. Às portas do hospital Santa Bárbara, onde Durán morreu, várias pessoas chamavam Morales de "assassino". Após tomar conhecimento da morte do jovem, o governador regional, David Sánchez, aliado de Morales, mas que se distanciou do Governo, entrou no quartel para suplicar aos constituintes que suspendessem suas deliberações e evitassem assim mais mortes, mas sua solicitação foi rejeitada. Minutos depois, a maioria governista aprovou, sem debatê-lo, o texto da nova Constituição, com a qual Morales promete "voltar a fundar a Bolívia". Previamente, tinha reformado o regulamento de debates da Assembléia, que previa a aprovação de todas as decisões por dois terços dos votos. Em seguida, os participantes da assembléia reunidos desde a sexta-feira, entoaram o hino nacional boliviano e Lazarte encerrou a sessão e convocou outra para o domingo. Os moradores de Sucre e a oposição qualificam de ilegal a sessão da maioria governista por acontecer em um quartel, por violar supostamente o regulamento do fórum e pela agenda programada, que não incluiu a reivindicação da cidade, principal motivo dos incidentes. Os líderes de Sucre pedem que o Governo e o Parlamento, que estão em La Paz desde 199, voltem a sua cidade, e sua reivindicação manteve a Assembléia paralisada por mais de três meses. Oposição rejeita nova Constituição e declara "luto" A oposição rejeitou neste sábado a aprovação de uma nova Constituição pelo partido do presidente boliviano, Evo Morales, porque ela ocorreu "sob fuzis", em um quartel militar, além de declarar "luto pela democracia". O ex-presidente Jorge Quiroga, líder da aliança de direita Poder Democrático e Social (Podemos), taxou como "vergonhosa teatralização" a sessão da Assembléia na qual o Movimento ao Socialismo (MAS) aprovou a nova Carta Magna, à revelia dos constituintes da oposição. O MAS aprovou a nova Carta Magna, em primeiro debate, com os votos de 136 dos 138 participantes da Assembléia presentes (de 255 escolhidos em 2006), enquanto nos arredores do colégio militar de Sucre, capital oficial da Bolívia, aconteciam distúrbios que deixaram pelo menos um morto e 100 feridos.

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