Consuelo volta à Colômbia com prova de vida de reféns

Ex-refém entrega emocionada cartas e fotos aos parentes de oito de seus companheiros de cativeiro

Efe, REUTERS

15 de janeiro de 2008 | 09h18

A ex-deputada colombiana Consuelo González, solta na semana passada depois de passar mais de seis anos sequestrada pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), voltou na segunda-feira ao país, levando consigo provas de vida de oito outros reféns.    Consuelo González se reúne com familiares de reféns das Farc  Parentes de reféns pedem que Farc tirem suas correntes  Ex-refém diz que Farc mantêm militares acorrentados   González desembarcou no Aeroporto Militar de Catam, acompanhada das duas filhas e da neta, vindas de Caracas. "Estou imensamente emocionada e feliz de regressar à minha pátria de maneira livre, desfrutando de todos os meus direitos, compartilhando com a minha família e vivendo tranquila", disse González, recebida por dezenas de parentes de pessoas que permanecem sequestradas.   Foto: Efe "Não é a dor física o que nos fere, não são as correntes que temos penduradas em nossos pescoços o que nos atormenta, não são as constantes doenças o motivo de nossa aflição. É a agonia mental causada pela irracionalidade de tudo isto", afirma uma das cartas divulgadas pela emissora colombiana "Rádio Caracol". "(O que nos fere) é a irritação que nos causa a perversidade do mau e a indiferença com relação ao que é bom", completa a mensagem, assinada pelo coronel da Polícia Luis Mendieta, o ex-congressista Orlando Beltrán, o ex-governador Alan Jara, o capitão Enrique Murillo Sánchez, o tenente William Donato e o sargento Arbey Delgado Argote, e dirigida ao diretor da "Caracol", Darío Arismendi.     Foto: Efe Além de servirem como provas de sobrevivência de seus signatários, as cartas mostram a degradante condição em que os reféns se encontram nas selvas colombianas. Em uma destas cartas, o ex-congressista Jorge Eduardo Gechen Turbay implora para não o deixem morrer na selva e pede para ser levado, como prisioneiro de guerra, a Cuba, para receber atendimento médico para seus problemas de saúde, que, segundo parece, são gástricos, lombares e de coração. Gechen foi seqüestrado em fevereiro de 2002 de um avião que o grupo guerrilheiro obrigou a aterrissar em uma estrada no sudeste da Colômbia.   A esposa de Jara, Claudia Rugeles, recebeu cinco fotografias dele e várias cartas. Ao cheirar as cartas, afirma se sentir "um pouquinho mais perto dele". Foto: Efe O coronel Mendieta fala, por sua vez, em carta a sua esposa María Teresa e a seus filhos Jenny e José Luis, do drama de viver na selva, com animais, rios, um péssimo clima e doenças como uma paralisia que o atingiu nas pernas. Mendieta não desperdiçou um só espaço do papel em que escreveu, onde quase nada ficou em branco. Sua filha Jenny leu as palavras do coronel com a voz embargada.   Seqüestrado há nove anos, Mendieta fala que passou cinco semanas sem poder caminhar, em uma rede, e depois começou a andar com muletas improvisadas, com uma bengala, por pântanos e rios, espantando animais, mosquitos grandes, e tendo que arrastar-se até um banheiro improvisado em meio à lama para fazer suas necessidades.   A esposa e o filho do ex-governador Alan Jara mostram fotografias recebidas pela ex-refém Consuelo Gonzáles. Foto: EfeJenny, antes de ler a carta, pediu aos colombianos que entendessem a "grande dor" dos seqüestrados e de suas famílias. "Quase nunca divulgamos uma carta, e gostaria que ouvissem a grande dor que está afligindo os seqüestrados", disse. O coronel, acorrentado no pescoço e amarrado às noites a um tronco, como todos os outros policiais e soldados seqüestrados, conta em sua carta que quando tentou voltar a caminhar se sentiu como "uma criança". Também relata que, com chagas e cicatrizes, está há vários anos "em mau estado de saúde", que sofre represálias da guerrilha, que é "difícil dividir cada coisa que chega", que em duas ocasiões teve malária e que já tomou muitos remédios. Também que não têm o que ler, embora "às vezes" chegue uma revista, que estuda com outros e com Alan Jara, seqüestrado quando viajava em um veículo da ONU em julho de 2001 e, que, segundo diz Mendieta, é "um bom professor". Não têm nem livros, nem cadernos, nem com o que escrever.   Matéria ampliada às 14h46.

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