Continuidade do governo de Morales é confirmada

O plebiscito também avaliou a continuidade do poder para oito dos nove prefeitos regionais

AP,

10 de agosto de 2008 | 19h12

O poder do presidente boliviano Evo Morales foi confirmado com 56,7% de dos votos em um referendo sobre a continuidade de seu mandato, realizado no país neste domingo, dia 10. O plebiscito também avaliou a continuidade do poder para oito dos nove prefeitos regionais.  As mesas de votação começaram a encerrar os trabalhos às 16 horas, horário local, depois de oito horas de funcionamento tranquilo, informaram as cadeias de rádio, mas a lei proíbe que os meios de comunicação divulguem projeções ou cifras consolidadas da votação antes das 18 horas.  A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) disse que não houve irregularidades graves, exceto um incidente em um povoado amazônico onde a votação foi demorada porque foi necessário repor todo o material eleitoral roubado durante a madrugada por desconhecidos.  A OEA "valoriza a alta participação cidadã e deseja expressar o seu reconhecimento e admiração pelo interesse e vontade cívica dos bolivianos que comparecem com toda a tranquilidade e ânimo para votar", disse a organização em um comunicado.  O presidente Morales disse que sonhava com a unidade e o aprofundamento da democracia na Bolívia, depois de depositar seu voto em uma escola na região central de Chapare, onde nasceu para a vida sindical e política.  "Meu desejo, meu sonho é que haja uma grande unidade do povo boliviano (...), frente a intenções separatistas, saúdo este povo boliviano que luta por sua igualdade, por sua identidade e sobretudo pela unidade", disse em alusão a movimentos de autonomias regionais alentados pela oposição de direita.  O mandatário indígena acrescentou que a revolução socialista que pretendia na Bolívia não era um anseio isolado, porque "na América Latina há uma grande rebelião contra políticas econômicas que não resolvem os problemas sociais, os problemas econômicos das grandes maiorias".  "Hoje temos a certeza de que as pessoas vão sair para defender uma forma de vida, para lutar pela liberdade, mas com justiça", disse no outro extremo o prefeito de oposição de Santa Cruz e líder dos movimentos autonomistas, Rubén Costas, mostrando-se confiante em sua ratificação antes de votar.  Costas votou fazendo uma pausa na greve de fome que faz há seis dias, em um dos protestos anti-governamentais que aumentou a tensão política na última semana e colocou em risco o plebiscito.

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