Corpos mutilados são achados perto da cidade mais rica do México

A polícia encontrou na terça-feira cinco corpos mutilados nos arredores de Monterrey, a cidade mais rica do México, região onde 20 pessoas foram assassinadas nos últimos dois dias por causa de conflitos entre traficantes.

ROBIN EMMOTT, REUTERS

18 de janeiro de 2011 | 17h23

Os cinco corpos, sem braços e pernas, foram deixados pouco antes do amanhecer em uma rua na localidade de Montemorelos, ao sul de Monterrey, segundo policiais e testemunhas.

A imprensa mexicana disse que, na segunda-feira, três irmãos foram mortos por atiradores em um carro, enquanto comiam tacos, e que cinco pessoas foram assassinadas num atentado num subúrbio proletário. Uma mulher teve um ataque cardíaco e morreu ao testemunhar essa chacina, e outras seis pessoas foram mortas em dois incidentes separados em Monterrey, segundo a polícia e a imprensa.

Monterrey já foi considerada uma cidade-modelo, e sua renda per capita é o dobro da média mexicana. Mas nos últimos anos a violência ali tem chegado a níveis alarmantes, e se intensificou ainda mais nas primeiras semanas deste ano. Isso assusta moradores, empresas locais e alguns investidores estrangeiros, que possuem "maquilas" (fábricas voltadas para a exportação de produtos para os EUA).

Autoridades mexicanas e norte-americanas dizem que, em Monterrey, uma aliança de três cartéis está tentando acabar com o domínio dos Zetas, grupo formado por ex-soldados de forças de elite que entraram para o crime organizado na década de 1990.

Com cerca de 4 milhões de habitantes e a apenas 225 quilômetros da fronteira com o Texas, o mergulho de Monterrey na violência do narcotráfico marca uma dramática deterioração na situação de segurança no último ano.

Ali fica a sede da gigante global do cimento Cemex, além de unidades de empresas estrangeiras como a General Electric. A região responde por 8 por cento do PIB mexicano, embora tenha só 4 por cento da população.

Mais de 34 mil pessoas já morreram por causa da violência ligada ao narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón tomou posse e mobilizou as forças armadas para combater os cartéis de drogas, em 2006. O governo diz que a violência é um sinal de enfraquecimento das quadrilhas, mas empresários e grupos de direitos humanos temem que a estratégia oficial esteja dando errado, gerando uma onda desenfreada de homicídios.

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