Correa agradece apoio da chefe de Estado chilena

Presidente equatoriano afirmou ser um líder 'bacheletista' e assinou um acordo entre os dois países

Efe,

10 de março de 2008 | 19h35

O presidente equatoriano, Rafael Correa, agradeceu nesta segunda-feira, 10, à chefe de Estado chilena, Michelle Bachelet, pelo apoio deste país no recente conflito com a Colômbia e destacou que "a América Latina deu um exemplo ao mundo inteiro" pela forma como o problema foi resolvido.  Correa chegou na noite de domingo, 9, a Santiago em visita oficial e agradeceu ao Chile por "sua postura firme, com base em princípios e não em conveniências". "Novos ventos sopram em nível mundial graças à América Latina, que demonstrou que o direito internacional sobressairá na região, e não a força", destacou o presidente equatoriano em entrevista coletiva concedida com Bachelet. Correa demonstrou estar convencido de que "a justiça e a verdade sobressairão" na América Latina após a superação do conflito decorrente do ataque do Exército colombiano a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano no último dia 1º. Bachelet reafirmou a rejeição do Chile ao que chamou de "violação da soberania e da integridade territorial do Equador". "O Chile sempre rejeitou a unilateralidade", destacou Bachelet, acrescentando que a visita de uma comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao Equador "fortalecerá os princípios que regem as relações entre os Estados americanos e conseguirá evitar que fatos como este voltem a ocorrer". A comitiva da OEA será liderada pelo secretário-geral do organismo, José Miguel Insulza. Acordo entre países Os dois presidentes assinaram nesta segunda-feira um acordo de associação pioneiro na região por seu significado estratégico e político, além de uma declaração conjunta. Ambos ainda ratificarão um acordo de complementação econômica que substituirá o firmado em 1995. O presidente equatoriano explicou que o acordo de complementação econômica reflete a política energética do governo do país, que tem como objetivo "privilegiar as alianças estratégicas com Executivos amigos e empresas públicas". Além disso, Correa ratificou a "plena vigência" dos tratados sobre o Sistema do Pacífico Sul assinados em 1952 e 1954, os quais estabelecem as fronteiras marítimas entre Equador, Peru e Chile. O chefe de Estado equatoriano desejou "a melhor sorte" ao Chile na disputa com o Peru, que levou suas divergências sobre esta questão ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia. Assuntos marítimos Quanto à compra de duas fragatas da Marinha chilena por parte do Equador, Correa explicou que a transação não obedece a qualquer afã armamentista, mas sim à necessidade de renovar unidades equatorianas que ficaram obsoletas.  Segundo ele, para defender suas águas territoriais da pirataria e dos traficantes de pessoas, o país atualmente tem que pedir ajuda aos navios dos Estados Unidos, algoque o incomoda. O chefe de Estado do Equador demonstrou bom humor ao responder à imprensa que não sabe se ele e Bachelet são "chavistas", mas disse ter certeza de que é "'bacheletista'". A chilena, por sua vez, destacou as "enormes coincidências" entre os dois países em assuntos como a delimitação marítima, em alusão à disputa com o Peru na Corte de Haia. "Há plena consciência da vigência, do alcance e do conteúdo dos tratados do Sistema do Pacífico Sul", insistiu Bachelet. Segundo a presidente chilena, a assinatura do acordo de associação "representa dar um passo à frente" nas relações bilaterais e institucionalizar o diálogo político entre os dois Países. Para Bachelet, este acordo - que abrange aspectos de defesa, justiça, energia, proteção social e luta contra a pobreza - "constitui um salto qualitativo" e promove "a construção de uma América Latina baseada na paz, na cooperação e na integração". A chefe de Estado chilena também disse que o acordo entre as estatais Empresa Nacional de Petróleo do Chile (Enap) e Petroecuador para a prospecção de gás natural no golfo da cidade equatoriana de Guayaquil. Nas próximas horas, Correa visitará o dirigente interino da Corte Suprema chilena, Milton Juica, e se reunirá com os presidentes do Senado do país, Eduardo Frei, e da Câmara dos Deputados, Patrício Walker. Na terça-feira, Correa participará como convidado da celebração do segundo an do Governo de Bachelet e receberá o título de doutor honoris causa da Universidade do Chile.

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