Correa anuncia contra-ofensiva diplomática contra Colômbia

Presidente do Equador disse também que ministro colômbiano, Juan Manuel Santos, é um 'perigo' para região

Efe,

29 de março de 2008 | 15h15

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado, 29, que a partir de segunda-feira empreenderá uma contra-ofensiva diplomática contra o que chamou de "abusos" e "insolências" da Colômbia em torno da operação militar colombiana contra um acampamento clandestino das  Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano no dia 1º de março. Em seu programa de rádio, Correa também qualificou o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, como um "perigo" para a região, chamando-o ainda de "belicoso", fazendo referência à justificativa dada por Santos para a morte de um equatoriano durante a operação militar. "Enquanto continuarem com essas posturas, não poderemos retomar as relações diplomáticas com um governo dessa natureza", afirmou Correa. "Na segunda-feira, darei uma resposta concreta a todos os abusos que recebemos da Colômbia, não apenas pela incursão de 1º de março, mas pelos últimos anos", disse o presidente. "Já basta ser agredido, ser vítima de um problema que não é nosso e ainda por cima receber insolências de certas autoridades do país vizinho", falou o presidente equatoriano ao dizer que sua resposta será "pacífica e apegada ao direito internacional" e em uso do "legítimo direito de defesa". "Continuaremos dando esse tipo de respostas diante de tanto abuso e diante de tanta insolência, mas não será uma resposta de guerra, nem uma resposta de violência, nós não conhecemos essa linguagem", disse. Correa também defendeu o equatoriano Franklin Aisalla, um dos dois mortos pelos militares colombianos após o ataque à base das Farc que tinha sido construída clandestinamente no Equador. Os colombianos "bombardeiam (o território equatoriano), deixam três gravemente feridos e saem com dois mortos como troféu de guerra (um deles o porta-voz das Farc, Raúl Reyes). Companheiros, julguem vocês os princípios éticos e os princípios morais dessa ação". Vítima equatoriana Correa criticou o fato de que o governo colombiano repita, "principalmente esse senhor que é um perigo para a região, o belicoso ministro da Defesa colombiano, que foi uma ação legítima e, ironicamente, que o cidadão equatoriano mereceu morrer porque estava com as Farc. Não caiamos na armadilha, independentemente do que tenha sido o senhor Aisalla. Ele não podia ter sido assassinado por forças estrangeiras em solo equatoriano, tinha que ser julgado pelas leis equatorianas", afirmou Correa. Correa complementou, dizendo que a família do equatoriano morto terá apoio do governo."Em todo caso, saberemos acompanhar as ações do companheiro Aisalla e daremos a sua família todo o apoio que queiram ter nos níveis nacional e internacional por esse assassinato." O presidente do Equador também disse que investigará por que os comandantes e militares e policiais não o informaram a tempo que vinham investigando Aisalla desde 2003 por seu suposto envolvimento com as Farc e criticou o fato de ficar sabendo desse assunto pela imprensa. Correa afirmou que também será investigado se houve "corrupção" no "vazamento" da informação para a imprensa, já que segundo ele, essa versão supostamente poderia ter sido vendida a alguns meios de comunicação.

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