Correa destaca importância do Brasil para América Latina

Após ser reeleito, presidente equatoriano nega existência de eixo entre Venezuela, Bolívia e seu país

Agências internacionais,

28 de abril de 2009 | 09h54

O presidente do Equador, Rafael Correa, reeleito no último domingo, destacou a importância da postura de liderança do Brasil na América Latina. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o presidente equatoriano ainda negou a existência de um "eixo" entre Venezuela, Bolívia e seu país, e propôs a criação de um Banco do Sul que respalde as moedas nacionais e seja financiado com fundos da região.

 

"Não há dúvidas (sobre a liderança). Ninguém pode duvidar da importância do Brasil. É uma das 10 economias maiores do mundo e, por isso, adota essa liderança", afirmou em Correa disse ainda que a postura do Brasil na América sempre foi de respeito com os outros países da região. "Sempre houve o mais profundo respeito para os demais países da América Latina. Sempre houve isso por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", disse.

 

Correa assegurou ainda que o Equador tem excelentes relações com todos os países. "Provavelmente viajei mais vezes ao Brasil do que à Venezuela. Viajei muitas mais vezes à Argentina. Não vejo nada de errado em existir um eixo como dizem, mas claramente não existe nenhum", afirmou.

 

O líder equatoriano também se referiu à conjuntura financeira regional e propôs a criação de "um fundo de reservas do Sul que sirva para respaldar as moedas nacionais, as crises de balanças de pagamento, e as crises fiscais".

 

Um dia após ser reeleito, Correa prometeu aprofundar sua "revolução cidadã" e levar o Equador mais rapidamente "rumo ao socialismo do século 21". "Os resultados nos favoreceram amplamente e isso nos dá um grande apoio político para fazer mudanças de forma mais radical e acelerada", disse Correa. "Estamos caminhando rumo ao socialismo do século 21."

 

Segundo pesquisas de boca de urna, seu partido, o Aliança País, também obteve a maioria do novo Congresso e as prefeituras das cidades de Quito e Guayaquil, as duas mais importantes do país. A contagem oficial de votos para os cargos do Legislativo e dos governos locais, porém, ainda pode demorar.

 

Com a vitória, Correa torna-se o primeiro presidente equatoriano eleito em primeiro turno nos últimos 30 anos. Pelas regras do país, uma segunda votação só seria realizada se ele não obtivesse a maioria absoluta ou 40% dos votos com uma margem de 10 pontos porcentuais sobre o segundo colocado. Correa, contudo, terá pouco tempo para saborear a vitória. Seu desafio principal será garantir a sobrevivência dos amplos programas sociais que o tornaram popular em meio à crise econômica mundial e à baixa dos preços do petróleo.

 

Economista formado na Bélgica e nos EUA, Correa assumiu o poder pela primeira vez em janeiro de 2007 prometendo livrar o Equador de uma classe política corrupta que, por décadas, desviou as riquezas do petróleo. Agora, ele terá mais quatro anos à frente de um governo cujas receitas estão bastante comprometidas - 40% do orçamento depende dos hidrocarbonetos.

Tudo o que sabemos sobre:
Equador

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.