Correa diz que não assina TLC e exige saída dos EUA de base

Na campanha eleitoral, presidente equatoriano assegurou que não assinaria tratado comercial

Efe,

24 de outubro de 2007 | 02h40

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou nesta terça-feira que vai jogar "na lata de lixo" o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com os Estados Unidos e que não renovará o acordo para a permanência de militares americanos na base de Manta. Correa, que retornou a Quito depois de uma viagem pela Espanha e Itália, rejeitou o pedido de entidades de empresários, que insistem na assinatura do tratado comercial. "Os empresários podem falar o que quiserem, mas nós fomos bastante claros", afirmou Correa em entrevista coletiva. Ele lembrou que na campanha eleitoral do ano passado prometeu que "o TLC seria jogado na lata de lixo da História". "O TLC afundou mais que o Titanic", disse, garantindo que o seu governo não se submeterá à "boba abertura" comercial. Base militar O governante esquerdista do Equador também manteve a sua posição sobre a base militar de Manta, no oeste do país. O local é usado desde 1999 por um contingente americano na luta contra o narcotráfico na região. Além disso, disse que a pista de pouso da base, melhorada pelo contingente militar dos EUA, poderá ser transformada num "aeroporto internacional, que complemente o projeto Manta-Manaus", um ambicioso programa de conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Equador e Brasil se comprometeram a promover o "Eixo Manta-Manaus", para dinamizar o comércio e a integração física na América do Sul. O prefeito de Manta, Jorge Zambrano, solicitou ao Executivo que abra um diálogo para analisar a conveniência ou não de renovar o convênio com os EUA, que vence em novembro de 2009. Empresários da cidade já mostraram seu interesse em manter o contingente militar americano, devido aos benefícios econômicos que a sua presença traz. "Não tenho nenhum problema em me reunir com eles, mas o fim do convênio não é negociável", ressaltou Correa. Ele descartou também a possibilidade de um plebiscito em Manta sobre o tema, como insinuaram alguns dirigentes empresariais da localidade. "Uma base estrangeira em solo equatoriano não é uma questão do cantão de Manta nem da província de Manabí. Constitucionalmente, é um assunto do país. Tratados como este têm que ser aprovados pelo Congresso e ratificados pelo presidente da República", acrescentou Correa. Ele insistiu que, em 2009, "quando vencer o acordo, tão prejudicial para o país, os militares estrangeiros terão que sair".

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