Correa diz que não está preparado para 'reatar' com a Colômbia

Presidente equatoriano faz declaração após dar por encerrada a crise causada pelo ataque militar colombiano

TÂNIA MONTEIRO, REUTERS E EFE,

08 de março de 2008 | 19h16

Um dia depois de dar por encerrada a crise provocada pelo ataque militar colombiano contra guerrilheiros em território equatoriano, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta sexta-feira, 7, em Quito que seu país não está em condições de restabelecer de imediato as relações diplomáticas com a Colômbia.   Correa suspendeu os laços com o país vizinho na segunda-feira, dois dias depois que militares colombianos bombardearam um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).   A operação - na qual foi morto Raúl Reyes, número 2 do grupo guerrilheiro, e outros 23 rebeldes - abriu uma pesada troca de acusações entre os líderes dos dois países andinos. A crise encerrou-se na sexta-feira, na cúpula do Grupo do Rio, em Santo Domingo, após horas de um ríspido debate entre Correa e o presidente colombiano, Álvaro Uribe.   "Ainda há um processo diplomático a ser seguido. As coisas não se ajeitam rapidamente, mas trataremos de fazê-lo", disse o ministro de Interior do Equador, Fernando Bustamante. Correa afirmou ontem que a "América Latina está começando uma nova era na qual primarão os princípios, a justiça e o direito internacional, e nunca mais primará o poder".   "Creio que este 7 de março vai passar à história do Equador e de toda a América Latina, pois recuperamos a fé em muitas coisas, como os princípios, as cúpulas e nossos colegas latino-americanos."   "É a primeira vez na história que nosso país não é despedaçado na mesa de negociações, pois com uma posição firme e digna, não de Rafael Correa ou de um governo, mas de todos os equatorianos, fizemos respeitar os direitos do país", disse Correa ao chegar a Quito.   "Pudemos resolver um problema extremamente grave, de modo pacífico, com firmeza, com convicções, com princípios, em uma cúpula de presidentes", declarou. Para ele, "tudo saiu bem e o presidente Uribe, mais que a Colômbia, reconheceu sua responsabilidade, pediu perdão sem atenuantes ao povo equatoriano e comprometeu-se a nunca mais repetir esse tipo de agressão contra o Equador ou outro país". Correa, no entanto, qualificou de "infâmia" vincular seu governo com a guerrilha e disse que pedirá uma investigação dos documentos em poder da Colômbia.   O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que também fez as pazes com a Colômbia na cúpula do Grupo do Rio, chegou na noite de sexta-feira a Cuba, onde foi recebido pelo novo presidente cubano, Raúl Castro.   LULA   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou ontem o desfecho da crise. "Eu não disse que era só ter um pouco de paciência que eles iam se entender", afirmou Lula ao Estado, referindo-se ao desentendimento entre Uribe, Correa e Chávez. Para o presidente Lula, a solução "foi a melhor possível". Lula estava no Rio para reunir-se com o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva.

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