Correa diz que Odebrecht aceitou acordo; empresa nega

Presidente do Equador quer responsabilizar construtora por falha em hidrelétrica; indenização mantém impasse

Agências internacionais,

27 de setembro de 2008 | 16h25

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado, 27, que a  construtora brasileira  Odebrecht apresentou ao governo uma proposta em que aceita todas as exigências do país para retomar suas operações e deixar sem efeito a expulsão por causa de falhas da usina hidrelétrica San Francisco, construída pela empresa  no país. Em contato com a redação do Estado, a empresa nega a informação. Correa fez  o anúncio do acordo  em seu programa de rádio e televisão e disse que estudará a proposta da companhia, que teria sido enviada na sexta-feira ao governo.   Veja também: Rafael Correa anuncia viagem ao Brasil na próxima semana Dívida do Equador no BNDES é da Odebrecht, diz Dilma Expulsão é jogada do Equador, diz Lula Equador expulsa Odebrecht e ameaça não pagar o BNDES   A assessoria de imprensa da Odebrecht disse ainda que o impasse continua, principalmente sobre a indenização pelo tempo em que a usina ficou parada. A empresa alega que um abalo sísmico comprometeu o funcionamento da San Francisco e, portanto, não pode ser responsabilizada pela falha. De acordo acom a assessoria, a Odebrecht aceita fazer o conserto da obra, mas não pagar multa por isso.  O impasse sobre o pagamento do financiamento do BNDES também continua, diz a assessoria da empresa.   A Usina Hidrelétrica de San Francisco foi construída pela Odebrecht e suas duas turbinas foram entregues em maio e junho do ano passado. Uma das turbinas, no entanto, apresentou um defeito que paralisou a operação da hidrelétrica desde junho deste ano. Sob a alegação de que a pane põe o país em risco de um colapso energético, Correa exigiu da Odebrecht US$ 43 milhões de indenização, além de cerca de US$ 250 mil para cada dia de inatividade da usina, a título de lucros cessantes.   Adicionalmente, ameaçou não assumir o compromisso com o brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que emprestou US$ 244 milhões para financiar a construção da usina e de outras obras tocadas pela Odebrecht no país: duas de irrigação e outra usina hidrelétrica.   O governante ordenou na terça-feira passada a intervenção na usina, recusou seus bens e instalações e proibiu a saída do país de alguns de seus diretores, após não chegar a um acordo sobre a reparação da planta da hidrelétrica San Francisco.   "Depois de termos recebido um tremendo choque, recebemos ontem o acordo, unilateralmente, firmado", disse Correa. Segundo ele, no documento a empresa brasileira aceita "todas as exigências" feitas pelo governo. O presidente equatoriano acrescentou que irá analisar a proposta da Odebrecht para decidir se permite "que eles continuem ou não no país".   Segundo ele, apesar de ter avançado na proposta, os responsáveis da empresa "duas vezes andaram para trás no último minuto, e a última vez foi na terça-feira". O presidente reiterou que esse fato o motivou a assinar "o decreto os expulsando do país, pedindo que os diretores da Odebrecht saiam e requisitando toda a maquinaria para que não parem as obras" adjudicadas à firma.   Além disso, voltou a falar sobre um estudo sobre a dívida externa que oferece informações sobre possíveis irregularidades no crédito que o Brasil entregou ao Equador para a construção da hidrelétrica de San Francisco. Segundo Correa, o montante desse crédito foi para Odebrecht e não ingressou nas contas do Equador. Por essa razão, ele afirma que se trata de um empréstimo do Brasil para Odebrecht e não "de governo para governo".   Texto ampliado às 20h40

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