Correa inicia estratégia para não pagar dívida do Equador

Presidente equatoriano diz que vai demonstrar, em nível internacional, a ilegalidade da dívida externa do país

Efe,

13 de dezembro de 2008 | 07h40

O presidente equatoriano, Rafael Correa, iniciou uma estratégia para não pagar lances da dívida externa, que classificou de "imorais" e "ilegítimas", e anunciou que não honrará os juros dos bônus Global 2012 que vencem nesta segunda-feira, 15.   Veja também: Possíveis consequências da moratória do Equador Ministra das Relações Exteriores do Equador renuncia Equador critica 'prática política condenável' do Brasil Países sul-americanos devem ao BNDES US$ 1,6 bilhão   Correa fez o anúncio ao finalizar o prazo para pagar US$ 30,6 milhões de um cupom de juros de bônus Global 2012, um lance - segmento da dívida externa - questionado por seu governo.   Sua posição baseia-se em um relatório elaborado recentemente por uma comissão que averiguou o crédito público nos últimos 30 anos e que determinou indícios de ilegalidade na contratação de alguns créditos e nos processos de renegociação.   Para encarar os efeitos da decisão, Correa estuda, junto a advogados nacionais e internacionais, "as estratégias jurídicas e legais para impugnar uma dívida que, insisto, é imoral e ilegítima", embora tenha ponderado que primeiro deverá "demonstrar, em nível internacional, que é ilegal".   Enquanto durar o processo, Correa insistiu que não pagará a dívida, mas disse que nos próximos dias apresentará aos credores um "plano de reestruturação" dos passivos.   Ele chamou de "barbaridade cometida por governos anteriores e agentes internacionais" a dívida externa em seu país, que atualmente chega aos US$ 10,2 bilhões.   No mês passado, Correa já apelou à Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional para não pagar uma dívida de US$ 286,8 milhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a represa hidroelétrica de San Francisco, construída pela empreiteira brasileira Odebrecht.   A obra foi inaugurada em meados de 2007 e deixou de funcionar em junho deste ano, devido a erros estruturais pelos quais o governo do Equador responsabilizou a Odebrecht, que Correa "expulsou" do país.

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