Correa questiona capacidade da Colômbia de controlar bases

'Quando os norte-americanos se deixaram controlar?', questionou o presidente equatoriano

Efe,

27 de agosto de 2009 | 17h59

O presidente equatoriano, Rafael Correa, questionou nesta quinta-feira, 27, em Lima a capacidade da Colômbia de controlar o uso das bases militares em seu território por parte de tropas americanas e ratificou que o acordo entre Bogotá e Washington é um assunto de toda a região.

 

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"Quando os norte-americanos se deixaram controlar?", disse Correa a jornalistas durante uma escala técnica em Lima a caminho da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que será realizada nesta sexta-feira, 28, na cidade argentina de Bariloche para discutir o acordo entre Bogotá e Washington, que permite o uso de pelo menos sete bases colombianas por militares americanos. 

 

Para o presidente equatoriano, "com essas bases, os norte-americanos têm uma capacidade de ação em toda a América do Sul. São coisas que preocupam".

 

Correa também lembrou que seu país teve uma base americana durante uma década e que, apesar de que estava sob controle equatoriano, disse ter "graves denúncias de uma série de atos que eram impossíveis de controlar e que estão sob investigação".

 

Além disso, o presidente equatoriano pôs em dúvida a luta antidrogas americana ao manifestar que a luta contra o narcotráfico é "o novo bordão" dos Estados Unidos, que substitui à outrora luta anticomunista, um assunto que "é um motivo de grave preocupação para toda a América Latina".

 

O presidente equatoriano também arremeteu contra os gastos com armas da Colômbia, que, segundo ele, tem as despesas militares mais altas da região, "sem contar a ajuda americana que recebe pelo Plano Colômbia".

 

Na véspera da cúpula da Unasul, Correa defendeu que a América Latina "seja um território de paz, livre de bases estrangeiras", ao confiar em que a reunião de Bariloche servirá para resolver "as dúvidas e a incerteza por meio do diálogo".

 

Cuba

 

O líder cubano, Fidel Castro, afirmou que com o acordo militar com a Colômbia, os Estados Unidos procuram colocar toda a América Latina ao alcance de suas tropas, "liquidar o processo revolucionário" do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e "assegurar o controle do petróleo".

 

"O único propósito dos Estados Unidos com essas bases é pôr a América Latina ao alcance de suas tropas em questão de horas", afirma o ex-presidente em artigo de "Reflexões", divulgado pela imprensa oficial, e no qual qualifica de "cínicos" os argumentos de Washington para defender o pacto.

 

Fidel se referiu, desta forma, ao acordo militar entre Bogotá e Washington, que permite ao Exército americano usar até sete bases em território colombiano.

 

"A alta hierarquia militar do Brasil recebeu com verdadeiro desagrado a notícia surpreendente do acordo sobre a instalação de bases militares dos Estados Unidos na Colômbia. A base de Palanquero fica muito perto da fronteira com o Brasil", afirmou o líder cubano.

 

Ele acrescentou que "com essas bases, unidas às de Ilhas Malvinas, Paraguai, Peru, Honduras, Aruba, Curazao e outras, não restaria um só ponto do território do Brasil e do resto da América do Sul fora do alcance do Comando Sul".

 

"O objetivo mais imediato desse plano -segundo o artigo- é liquidar o processo revolucionário bolivariano e assegurar o controle do petróleo e outros recursos naturais da Venezuela", afirmou.

 

"O império, por outro lado, não aceita a concorrência das novas economias emergentes em seu quintal de trás, nem países verdadeiramente independentes na América Latina. Conta com a oligarquia reacionária, a direita fascista e o controle dos principais meios de difusão em massa internos e externos", disse.

 

"Quando analiso os argumentos com que os Estados Unidos pretendem justificar a concessão de bases militares em território da Colômbia, não posso menos que qualificar de cínicos tais pretextos", afirma o artigo.

 

Para Fidel, os Estados Unidos afirmam que precisam das bases para lutar contra o tráfico de drogas, o terrorismo, o tráfico de armas, a imigração ilegal e as armas de destruição em massa, mas esse país é o "maior comprador e consumidor de drogas do planeta" e o "maior Estado terrorista que jamais existiu".

 

O líder acrescentou que o plano americano, incluído o restabelecimento da 4ª Frota, "foi desenhado por (ex-presidente, George W.) Bush e herdado pelo atual Governo dos Estados Unidos, a quem alguns líderes sul-americanos exigem o devido esclarecimento de sua política militar na América Latina".

 

"A entrega de território para o estabelecimento de sete bases militares dos Estados Unidos na Colômbia ameaça diretamente a soberania e a integridade dos demais povos do Sul e da América Central", afirmou.

 

Bolívia

 

Já governo da Bolívia afirmou que a cúpula da Unasul mostrará que presidentes da América do Sul "tremem" diante do "império" americano e quais defendem a soberania da região. Em entrevista na cidade de Trinidad, no departamento (estado) de Beni, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, disse que o encontro da Unasul em Bariloche (Argentina) revelará de "corpo inteiro" os governantes que "decidiram reconquistar a soberania de seu povo, de seu território".

 

A reunião, acrescentou, também vai demonstrar aqueles que "estão decidindo submeter seus exércitos às imposições estratégicas da potência estrangeira". "Esses (últimos) governantes vão tremer diante do poderio militar dos Estados Unidos e transformarão seus exércitos em peões do império", afirmou Quintana.

 

O ministro destacou ainda que Peru e Colômbia formam "um eixo" que divide a região e "dá as costas" às reivindicações dos povos do América do Sul por sua "soberania" e seu desenvolvimento. Por sua vez, o presidente Evo Morales, que também participou da entrevista, reiterou a proposta para que, no caso de uma falta de consenso entre os presidentes, seja realizado um referendo na região para determinar se os povos sul-americanos concordam ou não com a presença militar americana na Colômbia.

 

O Governo de Álvaro Uribe deixou claro que o acordo não implica a instalação de bases americanas na Colômbia, mas o uso de instalações sob comando colombiano pelas forças dos EUA. Venezuela e Equador, assim como a Bolívia, rejeitam o acordo entre Colômbia e EUA. Outros países da região, como o Brasil, manifestaram sua preocupação, mas enfatizaram o respeito à soberania colombiana.

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