Correa transmitirá a Zapatero 'desconforto' da Unasul sobre Honduras

Convite da Espanha para que país participe de cúpula internacional criou mal-estar na América Latina

Marina Guimarães, da Agência Estado

05 Maio 2010 | 12h11

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, vai transmitir ao primeiro-ministro da Espanha, Jose Luis Zapatero, o "desconforto" dos países da União de Nações Sul-Americanas (Unsaul) com o convite feito a Honduras para participar da cúpula da União Europeia-América Latina e Caribe.

 

Segundo fontes diplomáticas, Correa ficou encarregado de conversar ainda hoje com Zapatero, por telefone, e explicar que vários dos países do bloco não participarão do evento se o chefe de Estado hondurenho, Porfírio Lobo, comparecer.

 

"Honduras não é reconhecida pelos organismos internacionais como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e o convite da Espanha ao país é um reconhecimento de sua ilegitimidade, e nós não concordamos com isso", disse a fonte à imprensa brasileira.

 

"Queremos ir à cúpula, mas nestas condições, com a presença de Porfírio não podemos fazê-lo", completou a fonte.

 

O diplomata explicou que a moção apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião extraordinária da Unasul, nesta terça-feira, propõe que Lobo, eleito em novembro, conceda anistia à Manuel Zelaya para que possa regressar ao país com plenos direitos garantidos. "Os golpistas foram anistiados e quem sofreu o golpe de Estado continua exilado", afirmou a fonte, destacando que a moção foi acompanhada por todos os países, exceto a Colômbia e o Peru. Estes países, segundo a fonte, reiteraram que veem o processo em Honduras como ilegítimo, mas reconhecem as eleições como legítimas.

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