Correa visitará 5 países por crise diplomática com Colômbia

Presidente do Equador pretende esclarecer a crise diplomática deflagrada com a morte de Reyes

Agências internacionais

03 de março de 2008 | 20h40

O presidente do Equador, Rafael Correa, visitará cinco países latino-americanos, incluindo o Brasil, para falar sobre a disputa diplomática com a Colômbia, iniciada nesse sábado, 1. A viagem começa na terça-feira no Peru. Depois ele passará por Brasil, Venezuela, Panamá e República Dominicana, segundo o governo equatoriano.  Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Veja a repercussão na imprensa internacional     Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Colômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às FarcOEA pede reunião para resolver crise entre Colômbia e EquadorChávez diz que morte de número 2 das Farc foi ato 'covarde'Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das FarcColômbia deve 'pedido de desculpa' ao Equador, afirma AmorimMinistro equatoriano admite que se reuniu com líder das Farc O governo do Equador rompeu, nesta segunda-feira, 3, relações diplomáticas com a Colômbia, devido à incursão armada do exército colombiano no sábado em território equatoriano, contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).  Segundo o ministério de Relações Exteriores do Equador , "esta decisão foi adotada frente à evidente violação da soberania nacional e da integridade territorial do Equador, e das muito graves acusações divulgadas hoje pela presidência da Colômbia - que insinua acordos entre as Farc e o governo do Equador - assim como pelas declarações cínicas e temerárias do general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional da Colômbia."  A intenção de Correa é informar sobre a incursão de militares colombianos no seu território em um operação na qual morreu "Raúl Reyes", líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A ação, que o Equador classifica de agressão, iniciou uma inédita disputa diplomática entre os países, que levou Quito a romper relações com a vizinha.      Venezuela      A Venezuela determinou nesta segunda-feira, 3, a expulsão imediata do embaixador da Colômbia em Caracas, em meio à crise diplomática.    "O governo da República Bolivariana da Venezuela, em defesa da soberania da pátria e da dignidade do povo venezuelano, decidiu ordenar a expulsão imediata do território nacional, do embaixador da República da Colômbia na Venezuela e do pessoal diplomático da embaixada colombiana em Caracas", disse a chancelaria.  No domingo, 2, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou o fechamento de sua embaixada em Bogotá e enviou 10 batalhões militares para a fronteira com a Colômbia, acusando Bogotá de pôr a América do Sul à beira da guerra. "Nós não queremos guerra, mas não permitiremos que o império americano nem seu cachorro, o presidente (colombiano Álvaro Uribe), nos divida", disse no domingo. "Se a Colômbia fizer o mesmo na Venezuela, responderei enviando alguns Sukhois", disse, referindo a aviões de guerra comprados recentemente da Rússia. Posicionamento brasileiro    O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou nesta segunda-feira, 3, os dois pontos da posição que o Brasil apresentará na terça, 4, na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA): que a Colômbia apresente um pedido de desculpas explícito e sem adjetivações ao Equador; e a criação de uma comissão de investigação da OEA para identificar qual país tem razão sobre o episódio que resultou na morte do líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes. O objetivo desta estratégia, informou, é distensionar a relação entre os dois países. Ele destacou que considera a OEA o foro adequado para resolver as questões entre os dois países. Segundo Amorim, o Brasil considera que houve violação territorial por parte da Colômbia o que, na sua opinião, "é algo condenável e muito grave". Ele não acredita que o impasse entre Colômbia e Equador resulte em um conflito armado.    

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