Corte acusa presidente colombiano de obstruir Justiça

Antes Uribe havia denunciado um magistrado por tentativa de implicá-lo em atividades ilícitas

Efe

09 de outubro de 2007 | 04h27

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi acusado pela Corte Suprema de Justiça de seu país de obstrução da justiça, nesta terça-feira, 9. Antes Uribe havia denunciado um magistrado desse tribunal por tentativa de implicá-lo em atividades ilícitas com paramilitares de direita.  César Julio Valencia, presidente do Tribunal Supremo colombiano, rejeitou em declarações a Radio Caracol que um magistrado desta corte supostamente ofereceu benefícios a um paramilitar para que envolvesse Uribe em um crime, conforme comunicado da presidência da República.  O juiz tinha declarado à mesma estação de rádio que a denúncia do comunicado da presidência "é absolutamente falsa". Velásquez revelou que o presidente Uribe o chamou há poucos dias por telefone preocupado com decisões de seu escritório. Por sua vez, Uribe rejeitou estar obstruindo a justiça. "Eu simplesmente peço que se faça justiça. Que se diga ao país se o presidente é um assassino", expressou Uribe ao telejornal CM&La Notícia. O presidente da Colômbia acrescenta que o acusam de em 2003 ter mandado "um paramilitar que está na prisão matar outro paramilitar que está na prisão". "Esta é um acusação sumamente grave", disse. O presidente da Colômbia ressaltou que seu governo "é o que desmontou o paramilitarismo, assim como é o governo que fez todos os esforços para financiar a justiça". Versão oficial De acordo com a presidência, José Orlando Moncada Zapata, conhecido como "Tasmânia", enviou uma carta com uma denúncia. No conteúdo, o presidiário teria contado que o contactaram para oferecer-lhe benefícios caso acusasse Uribe e a outras pessoas não identificadas de terem estimulado um atentado contra o paramilitar Alcides de Jesús Durango, conhecido como "R". Ainda na carta, conforme a versão oficial, "Tasmânia" fornece detalhes de "como foi abordado na prisão de Itagüí e levado para as instalações da Promotoria, em Antioquia, onde o juiz Ivan Velásquez ofereceu benefícios a ele e a sua família, em troca de declarar contra o presidente Uribe". Esta polêmica surgiu no meio do processo que está em poder da Corte Suprema de Justiça pelos nexos de dezenas de políticos com esquadrões paramilitares de direita, que tem atrás das grades 30 congressistas, ex-congressistas e ex-funcionários, a maioria membros de partidos que apóiam Uribe.

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