Corte Eleitoral quer suspender eleições na Bolívia, diz Morales

A menos de 10 dias das eleições gerais na Bolívia, o presidente Evo Morales acusou nesta sexta-feira a Corte Nacional Eleitoral (CNE) de querer suspender as eleições nas quais tentará um novo mandato.

REUTERS

27 Novembro 2009 | 22h30

Na quinta-feira, a CNE colocou em dúvida os votos de quase meio milhão de bolivianos para as eleições de 6 de dezembro porque o registro de eleitores foi feito com ausência de alguns documentos, provocando críticas.

De um total de 5,13 milhões de inscritos no novo padrão biométrico, a CNE declarou 400.671 eleitores como "habilitados temporários" e deu prazo até 3 de dezembro para que apresentem suas certidões de nascimento para tramitar a habilitação plena.

"Suspeitosamente agora aparecem como irregulares mais de 400.000 companheiros que se inscreveram. É muito suspeito", disse Morales no encerramento de sua campanha na região amazônica de Pando.

"A CNE está provocando o povo, para que o povo se mobilize para logo justificar a suspensão das eleições nacionais", acrescentou.

A maior parte dos "habilitados temporários" conseguiu se inscrever com os documentos de identidade que o governo distribuiu mediante um programa gratuito de identificação, que começou em 2006 sem a exigência da certidão de nascimento.

A padronização de todos os eleitores, desde agosto, foi possível devido a um acordo entre o governo e a oposição com o objetivo de convocar as eleições em dezembro, nas quais participarão pela primeira vez os bolivianos residentes no exterior.

"Com certeza esses que não queriam eleições nacionais, a direita, os neoliberais, talvez agora estejam pensando que com esse tipo de depuração vão querer suspender as eleições", disse Morales.

Por sua parte, o porta-voz do governista Movimento ao Socialismo (MAS), Jorge Silva, adiantou que o governo apresentará uma impugnação legal contra os agentes eleitorais que aprovaram a resolução que coloca em situação temporária mais de 400.000 cidadãos.

A oposição garantiu que se tais cidadãos forem habilitados a votar, a transparência do pleito estará em risco.

A Bolívia tem pouco mais de 10 milhões de habitantes, segundo o Instituto Nacional de Estatística. Diversas pesquisas de intenção de voto preveem a fácil reeleição de Morales, com amplas possibilidades de que o MAS conquiste também o controle das duas câmaras da Assembleia Plurinacional, como passará a se chamar o atual Congresso.

(Reportagem de Diego Oré)

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