Corte militar paraguaia liberta ex-general Oviedo

A Suprema Corte de Justiça Militar doParaguai deu liberdade condicional nesta quinta-feira aoex-general Lino Oviedo, condenado a dez anos de prisão por umatentativa de golpe de Estado em 1996. Depois da divulgação da decisão, os advogados ecolaboradores de Oviedo declararam que vão tentar superar osoutros obstáculos jurídicos que impedem o ex-general deconcorrer à Presidência na eleição de abril de 2008. "A decisão de outorgar liberdade condicional ao senhorOviedo foi unânime e é inapelável", disse a jornalistas otitular da corte, Carlos Liseras, ao anunciar o veredicto, quegerou grande expectativa no país. "Se ele pode ou não se candidatar é algo que está nas mãosda Justiça comum", acrescentou Liseras. A Corte considerou que o ex-militar cumpriu mais da metadeda condenação, pois antes de ser capturado, em 2004, ao voltardo Brasil, já tinha ficado preso em outras quatro ocasiões,tanto no Paraguai como em território brasileiro. A decisão não significa uma absolvição da condenação pelatentativa de golpe, mas habilita Oviedo a participar dacampanha. A Constituição paraguaia proíbe a candidatura depessoas condenadas a penas de prisão, enquanto o regime fechadoestiver em vigor. "Hoje, Oviedo está livre para compartilhar com os amigos epercorrer o país ... e vai superar todas as adversidades quepossam surgir", disse o senador Enrique González Quintana,presidente do partido Unace, liderado pelo ex-general. Oviedo deixou a prisão em um carro conduzido por um de seusadvogados. Antes de sair, o ex-general saudou seussimpatizantes que festejavam com o grito de "Lino''o!". O ex-militar, de 63 anos, que é muito popular entre ossetores mais pobres da população, se reencontrou com seusseguidores na basílica de Virgen de Caacupé, santa padroeira doParaguai, onde foi depois da saída da prisão para orar eagradecer por sua libertação. Políticos e analistas afirmam que a libertação de Oviedovai mudar o mapa político do Paraguai, menos de oito mesesantes das eleições, devido à possibilidade de desintegração daaliança de oposição, liderada pelo favorito nas pesquisas, oex-bispo católico Fernando Lugo. "Isso vai gerar um novo cenário porque grande parte doeleitorado que eventualmente poderia apoiar Lugo apoiaria acandidatura da Unace, mesmo que o próprio Oviedo não seja ocandidato", afirmou o deputado Héctor Lacognata, do partidoPatria Querida. Segundo uma pesquisa publicada no sábado, Lugo tem 37 porcento das intenções de voto, contra 28 por cento de Oviedo. Ovice-presidente Luis Castiglioni, pré-candidato do PartidoColorado, do governo, figurava em terceiro lugar, com 26 porcento das intenções de voto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.