Costa do Sauípe finaliza detalhes para abrigar quatro cúpulas

Entre segunda e quarta-feira os hotéis receberão as cúpulas do Mercosul, da Unasul, do Grupo do Rio e da América Latina e do Calc

EFE

14 de dezembro de 2008 | 01h59

A Costa do Sauípe, complexo hoteleiro no nordeste do Brasil, perdeu neste sábado sua tradicional tranqüilidade para abrir passagem aos intensos preparativos para as quatro cúpulas de chefes de Estado e de Governo que vai organizar a partir da próxima segunda-feira. Este balneário particular, a cerca de 100 quilômetros da cidade de Salvador, receberá 34 governantes da América Latina e do Caribe para uma série inédita de cúpulas de chefes de Estado e de Governo. Entre segunda e quarta-feira os hotéis deste complexo receberão as cúpulas do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), do Grupo do Rio e da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc). Para garantir a segurança dos governantes e altas autoridades foi mobilizado um exército de perto de 3.000 policiais, militares, arquitetos, técnicos, bombeiros, chefes de segurança, engenheiros e diplomatas, que ainda trabalhavam para deixar todos os cenários funcionando. O balneário foi fechado para os turistas e apenas um dos cinco hotéis do complexo permaneceu aberto para particulares, que agora enfrentam dificuldades na entrada para se identificar e desfrutar sua estadia. O outrora tranqüilo complexo, rodeado de campos de golfe, quadra de tênis, centro eqüestre, piscinas, saunas, praias, centro náutico e quadras esportivas, conta agora com um novo heliporto, tendas plásticas e militares, equipamentos de transmissão de telecomunicações e blitze móveis. As ruas normalmente destinadas a bicicletas, carrinhos de golfe e ônibus turísticos são percorridas por carros policiais. Os quartos dos quatro hotéis fechados para os turistas serão distribuídos entre as diferentes delegações dos 34 países, mas ainda é um segredo saber, por exemplo, em que prédios ficarão hospedados os presidentes de Cuba, Raúl Castro, e Venezuela, Hugo Chávez. "Nem sequer pudemos saber quando chegará Raúl Castro. Tudo é lidado com estrito sigilo", disse à Agência Efe um funcionário do Ministério das Relações Exteriores, que organizava a montagem da sala de imprensa para até 400 jornalistas. Além dos soldados instalados nos hotéis e seus arredores, o Exército e a Polícia Federal montaram barreiras na porta principal do complexo e em alguns pontos estratégicos da estrada que liga diretamente o aeroporto de Salvador com a Costa do Sauípe. Um navio de guerra também vigia as praias e é a atração dos poucos turistas que restam. Para entrar no complexo é necessário portar uma credencial oficial, e os jornalistas, acomodados em sua maioria em um balneário a 20 quilômetros de distância, chegam em ônibus oficiais que saem a cada hora. As colônias de pescadores e artesãos que vivem nos locais próximos ao complexo também receberam instruções para não entrar nas áreas consideradas de segurança. A série de reuniões preparatórias ou de técnicos do Mercosul começou neste sábado, e na segunda-feira será instalado o Fórum Consultivo de Governadores e Prefeitos do organismo e iniciará a reunião do Conselho do Mercado Comum, que reúne os ministros de Exteriores e de Economia dos países-membros. A reunião principal, a Calc, que pela primeira vez convoca os presidentes de toda a região sem a companhia dos Estados Unidos e da União Européia, começa na terça-feira e se estende até a quarta. Pouco antes, a Cúpula do Grupo do Rio lembrará o ingresso de Cuba ao principal fórum de consulta política da América Latina e servirá para dar as boas-vindas a Raúl Castro às cúpulas regionais em sua primeira viagem ao exterior como governante.

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