Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters

Costa Rica oferece asilo político para Fernando Lugo

Líderes sul-americanos condenam o impeachment de Lugo da presidência do Paraguai

Efe,

23 de junho de 2012 | 02h04

SAN JOSÉ - A Costa Rica condenou na sexta-feira, 22, o impeachment de Fernando Lugo da presidência do Paraguai e ofereceu asilo ao político e aos membros de seu gabinete.

O chanceler da Costa Rica, Enrique Castillo, afirmou que o procedimento que levou à cassação de Lugo "tem reflexos de golpe de Estado" e por isso seu país rejeita a decisão do Congresso paraguaio.

O diplomata acrescentou que seu país, "historicamente um tradicional território de asilo, tem disposição" de receber Lugo ou membros de seu gabinete se isto for solicitado.

Em comunicado oficial divulgado em San José, Castillo afirmou que não foi dado ao "presidente Lugo as possibilidades e o tempo suficiente para um devido processo de defesa".

"Costa Rica expressa ao povo paraguaio seu desejo de que se restabeleça em breve a institucionalidade em seu país, conforme os instrumentos internacionais", afirmou o comunicado.

A nota citou a "Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA), a Carta Democrática Interamericana e a Convenção Interamericana de Direitos Humanos, que contemplam a necessidade de um processo" adequado.

Castillo está no Rio de Janeiro, onde acompanha à presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, na Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que terminou ontem.

Lugo foi destituído na sexta-feira, pelo Senado, que o considerou culpado de mau desempenho das funções presidenciais. O político foi substituído pelo vice-presidente Federico Franco, como estabelece a Constituição do país.

Em seu primeiro discurso como presidente, Franco disse que a "transição" que começa no país está sendo realizada "dentro da ordem constitucional" e "de nenhuma maneira põe em risco a vigência dos princípios democráticos universais".

Evo Morales: "Não reconheço um governo que não surja das urnas"

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que não "reconhece um governo que não surja das urnas e do mandato do povo", reiterando sua condenação ao que chamou de "golpe do Congresso" no Paraguai contra Fernando Lugo, informou a agência estatal de notícias "ABI".

Morales, segundo a "ABI", fixou sua postura e acrescentou que Lugo "estava acabando com as lojas maçônicas, com os fazendeiros e grupos de poder (no Paraguai) e isso sempre tem um custo".

O líder assegurou que por trás da ação política se "movimenta a mão dos neoliberais internos e externos".

Morales também assinalou que o julgamento político contra Lugo é uma "ação do imperialismo e da direita internacional" e disse estar convencido de que ele "jamais cometeu delitos".

O Senado do Paraguai destituiu Lugo, enquanto o até agora vice-presidente, Federico Franco, foi designado logo depois para comandar o país e jurou seu cargo.

A crise foi originada pelo "julgamento político" do líder paraguaio, devido à morte de seis policiais e 11 camponeses no despejo de uma fazenda no último dia 15.

Cristina Kirchner: "A Argentina não apoia o golpe de Estado no Paraguai"

A presidente argentina, Cristina Kirchner, disse que seu país não reconhece o impeachment de Fernando Lugo da presidência do Paraguai e classificou a decisão como um "golpe de Estado".

"A Argentina não apoia o golpe de Estado no Paraguai", disse Cristina a jornalistas na sede do Executivo do país. Para a governante, o que ocorreu em Assunção é "inaceitável". A presidente afirmou que seu país não vai reconhecer o novo governo paraguaio, liderado pelo até então vice-presidente, Federico Franco.

"Sem dúvida houve um golpe de Estado", disse a governante em declarações publicadas no site da presidência argentina.

Cristina Kirchner considerou que o julgamento político realizado pelo Congresso paraguaio foi "um ataque direto às instituições".

A líder afirmou que a Argentina assumirá uma postura idêntica a da presidente brasileira, Dilma Rousseff, que também condenou o impeachment, mas não revelou se irá apoiar uma possível expulsão do Paraguai do Mercosul.

"Todos achávamos que este tipo de situação estava superada na região", lamentou.

Hugo Chávez: "Não reconheço o inválido e ilegal governo instalado no Paraguai"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que não reconhece o "inválido e ilegal" governo que se instalou no Paraguai e qualificou de "vergonhoso" o julgamento político que terminou com o impeachment de Fernando Lugo e a ascensão ao poder do até agora vice-presidente Federico Franco.

"O governo venezuelano, o Estado venezuelano, não reconhece a esse inválido, ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção", declarou Chávez no palácio de Miraflores (sede do Executivo) antes da chegada de seu colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Rafael Correa: "Não reconheceremos nenhum outro presidente do Paraguai que não seja o legitimamente eleito, Fernando Lugo"

O presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou como um "golpe ilegítimo" o impeachment de Fernando Lugo como presidente do Paraguai e disse que não reconhecerá nenhum outro presidente desse país.

Em uma nota publicada no diário oficial "El Ciudadano", Correa disse que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deve pôr em prática suas normas "contra atos ilegítimos como o ocorrido no Paraguai em 24 horas, que contempla, por exemplo o fechamento de fronteiras".

Ao mesmo tempo anunciou que seu governo "não reconhecerá nenhum outro presidente do Paraguai que não seja o legitimamente eleito, Fernando Lugo", já substituído por Federico Franco, seu vice-presidente, que jurou o cargo uma hora e meia depois da destituição.

A nota afirma que o ato contra Lugo foi realizado "mediante um golpe ilegítimo do Poder Legislativo, em um tempo recorde, enquanto Lugo participava da Rio+20 no Brasil".

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