Cresce preocupação com risco de confrontos na Venezuela

Oposição incentiva voto para evitar derrota por abtenções e ameaça tomar ruas caso 'sim' vença eleição

Talita Eredia, do estadao.com.br,

01 de dezembro de 2007 | 16h29

A movimentação da oposição venezuelana na campanha para que a população compareça às urnas no referendo e a polícia nas ruas aumentam a preocupação para o pleito que acontece neste domingo, 2. O presidente do país, Hugo Chávez, tenta o aval da sociedade para colocar em vigor suas mudanças na Constituição, incluindo a medida que garante a reeleição ilimitada para a Presidência.   Veja também: Repórter Lourival Sant´Anna relata o clima pré-referendo Chávez ameaça cortar de petróleo aos EUA Especial: Tensão na América do Sul  Conheça pontos centrais da reforma     É grande o risco de confrontos durante o plebiscito deste domingo na Venezuela: forças policiais e grupos leais ao presidente Hugo Chávez estão nas ruas para evitar que "representantes do império ianque" atrapalhem a votação e, de outro lado, os movimentos de oposição planejam sair às ruas para incentivar os venezuelanos a votar contra o plano chavista de aprovar a nova Constituição proposta por Chávez.   Na véspera do referendo, o clima na Venezuela é de expectativa. Como as últimas votações foram marcadas pelos altos índices de abstenções, a oposição, reconhecendo que um boicote poderia favorecer o presidente, incentiva a sociedade a participar do plebiscito, já que os chavistas integrarão em massa a votação. Diante de um aparente empate técnico e das ameaças de fraudes, o movimento estudantil que lidera o bloco opositor convocou a população para fiscalizar a contagem dos votos na noite de domingo.   Fragilizada desde que Hugo Chávez foi eleito, os partidos opositores correm o risco de perder a 12.ª votação no país desde que o atual presidente assumiu o cargo, em 1998. A oposição, que afirma ter a maioria dos votos e diz que a vitória do 'sim' no pleito seria uma prova de fraude, ameaça tomar as ruas na noite domingo para fazer valer a eleição.   A crise é agravada pela falta de credibilidade do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que é liderado pelo presidente Hugo Chávez. O órgão proibiu ainda a divulgação de qualquer resultado de boca-de-urna e Chávez ameaçou tirar do ar emissoras de televisão que transmitirem números que não sejam oficiais.   Segundo o enviado de O Estado de S. Paulo no país, Lourival Sant´Anna, o líder venezuelano colocou a sua popularidade e a força do seu cargo em jogo para conquistar a aprovação da nova Constituição.   Durante um inflamado discurso no encerramento de sua campanha, Chávez ameaçou cortar o fornecimento de petróleo para os Estados Unidos caso a oposição tente "desatar a violência com a desculpa de que houve fraude". O país é o quarto maior fornecedor do combustível para os EUA. O presidente disse ainda que quem votar pelo 'não', "votará em George W. Bush. A oposição está fazendo o jogo sujo do 'Império' americano, nosso verdadeiro inimigo. Esta é a batalha."   Entre as principais mudanças na Constituição propostas por Chávez está a reeleição ilimitada para presidente, o aumento do mandato presidencial de seis anos para sete anos, o fim da autonomia do Banco Central, a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias e da idade mínima para votar, de 18 anos para 16 anos, além da cobertura de benefícios sociais para trabalhadores informais.   (com Lourival Sant´Anna, enviado especial de O Estado de S. Paulo)

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