Criação de novo órgão para América Latina é imatura, diz Fernandéz

Única proposta feita até agora em cúpula de Cancún foi criação de grupo de trabalho que integre região

Associated Press e Efe,

22 de fevereiro de 2010 | 20h08

Presidentes, ministros e representantes posam para foto em Cancún. Foto: Daniel Aguilar/Reuters

 

CANCÚN - O presidente da República Dominicana, Leonel Fernandéz, considerou nesta segunda-feira, 22, que a proposta para criar um novo órgão de integração que unifique a região "ainda não está madura" e se requer "desenredar o emaranhado institucional" para dar vida a dita instituição.

 

A cidade de Cancún, no México, abriga nesta segunda uma reunião do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), na qual estão presentes mandatários de todas as nações da região, menos Honduras, que foi suspensa da Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

Férnandez declarou à Efe que os 32 países reunidos na Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe consideram que a criação de um novo organismo de integração, principal objetivo da reunião, "ainda não está maduro".

 

O principal avanço do tema até o momento foi a apresentação de uma proposta para criar um grupo de trabalho que analise a 'multiplicidade de associações" existentes na região.

 

A comissão proposta teria o trabalho de analisar a atual situação para "formular uma proposta de como se articularia a nova realidade institucional regional da América Latina e do Caribe".

 

Ainda que a ideia seja vista "com simpatia" entre os países participantes, eles objetam que é preciso "mais maturidade, mais clareza e mais definição", como "qual é o destino do Grupo do Rio e o que irá acontecer com a SICA (Sistema de Integração da América Central)".

 

Fontes presentes na reunião disseram a Efe que vários nomes foram sugeridos para a nova entidade.

 

Os países membros da Aliança Bolivariana para os povos da América (ALBA) optaram por denominar a nova entidade como "organização", ao passo que o México quer chamá-la de "união" e outros países sul-americanos desejam designá-la de "comunidade".

 

Segundo as fontes consultadas, ainda não foram estabelecidos prazos para que o grupo de trabalho termine de perfilar o novo organismo, que poderia começar a atuar em 2011 durante uma cúpula em Caracas.

 

Honduras

 

O presidente hondurenho Porfirio Lobo negou nesta segunda as afirmações do presidente venezuelano Hugo Chávez, que qualificou de "ilegítimo" o governo de Honduras.

 

"O digo sinceramente: não seguirei o que Chávez falar", disse Lobo em uma coletiva de imprensa ao ser consultado sobre as declarações do mandatário venezuelano.

 

Ao chegar no domingo em Cancún para assistir a Cúpula da Unidade da América Latina e Caribe, Chávez disse que a democracia em Honduras "se rompeu" com o golpe de Estado de junho de 2009 que derrubou Manuel Zelaya, a quem considera o presidente legítimo do país.

 

"Nós não reconhecemos o governo em Honduras; é um governo ilegítimo, isso já o dissemos. Como não temos nenhum plano, muito pelo contrário, fazemos um chamado aos governos democráticos deste continente, a todos os povos da América Latina que nos unamos em torno do pedido que Honduras retorne à democracia", disse Chávez.

 

Lobo ganhou as eleições em novembro, quando o país estava passando por uma crise política desatada pela deposição de Zelaya em junho. O novo presidente assumiu o poder em 27 de janeiro e outorgou um salvoconduto a Zelaya para que ele viajasse a República Dominicana.

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) suspendeu Honduras devido ao golpe de Estado.

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