Crise com Odebrecht pode ser discutida em reunião da Unasul

Lula afirma que ainda não conversou com o presidente equatorianos sobre a expulsão da construtura brasileira

Tânia Monteiro, enviada especial, O Estado de S. Paulo, com agências internacionais

24 de setembro de 2008 | 11h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 24, ao sair do hotel onde está hospedado, em Nova York, que ainda não conversou com o presidente do Equador, Rafael Correa, que expulsou dirigentes da construtora brasileira Norberto Odebrecht do país e embargou os bens da empresa, por conta de problemas em hidrelétrica construída. Com esse problema no Equador, cresce a importância da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), no início desta tarde, em Nova York, na sede da ONU. Na pauta está prevista também uma avaliação da crise na Bolívia e discussão dos problemas de imigração na União Européia.   Veja também: Crise com Odebrecht será resolvida em dias, diz Amorim Após bloqueio de bens, Correa expulsa Odebrecht do Equador Odebrecht propõe perícia independente em usina no Equador Odebrecht confirma vazamento em hidrelétrica equatoriana   Correa decretou o embargo dos bens da construtora, o que na prática, segundo o ministro dos Setores Estratégicos, Derlis Palacios, equivale à expulsão da empresa do país. Além disso, Correa determinou a ocupação militar das obras da construtora no Equador. A medida presidencial proibiu ainda a saída de quatro de seus representantes no país por terem se negado a pagar um indenização por prejuízos causados pelas várias paralisações da hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira, que apresentaria graves danos estruturais. Segundo uma fonte da empresa, a Odebrecht obteve apoio diplomático do governo brasileiro para encontrar uma solução para a disputa, que pode vir de negociações entre os dois governos.   Na noite de terça, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, informou, em Nova York, que o governo brasileiro está dando todo apoio aos diretores da empresa que estão no Equador. Dois deles já tinham deixado Quito, desde a última segunda-feira e outros dois se encontram na embaixada do Brasil naquele país. A Odebrecht - que está no Equador há 23 anos - é investigada por corrupção e por ter realizado obras que, segundo Correa, teriam sido concluídas com "um terço da capacidade e o triplo do custo". Há duas semanas, o governo deu um ultimato à Odebrecht: ou a empresa se comprometia a reparar a usina ou deixava o país. "Esses senhores (da empresa brasileira) foram corruptos e corruptores. O que está sendo feito é um assalto ao país", disse o presidente.   San Francisco, localizada no centro do Equador, é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea e responde por 12% da energia dos recursos hidrelétricos do país. Segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador, ela custou US$ 338 milhões e os reparos estão orçados em US$ 12 milhões. A usina foi inaugurada em 2007, mas desde junho, segundo o governo, vem apresentando falhas técnicas que causaram interrupção do fornecimento de energia. Até então, o consórcio formado pela Odebrecht, Va Tech e Alston admitia "problemas pontuais" na obra e estava negociando com Quito a reparação dos danos detectados.   No decreto, Correa proibiu a saída do país de dois diretores da empresa que vivem no Equador, Fabio Andreani Gandolfo e Fernando Bessa, além do vice-presidente da construtora para a América Latina, Luiz Antonio Mameri, e do advogado Eduardo Gedeon. No texto, Correa diz que "os bens móveis e imóveis da construtora serão usados para superar a emergência energética e evitar apagões". Ele ordenou a mobilização do Exército para acompanhar as outras obras que estão a cargo da Odebrecht, entre elas uma estrada, um aeroporto e uma hidrelétrica.   O governo brasileiro tinha dito que as acusações de Correa têm objetivos político-eleitorais - o país vota em referendo, no domingo, o projeto da nova Constituição. Em comunicado oficial, divulgado na terça, a Odebrecht afirmou que a empresa "continua comprometida com a retomada da operação da usina", que os trabalhos de reparo seguem o cronograma acertado com o governo, que vem fiscalizando o cumprimento do acordo. Segundo a Odebrecht, a empresa propôs como garantia um depósito de US$ 43 milhões e uma auditoria internacional para determinar as responsabilidades pelas falhas no projeto.

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