Crise com Odebrecht será resolvida em dias, diz Amorim

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, "não podemos prejulgar as reclamações do Equador"

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

23 de setembro de 2008 | 23h02

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta terça-feira, 23, que a ocupação militar de uma usina hidrelétrica construída pela Odebrecht no Equador e a proibição de que seus diretores deixem o país não afetou, "até o momento", as relações diplomáticas entre os governos equatoriano e brasileiro. Ele acrescentou que espera ver resolvidas nos próximos dias as divergências entre a construtora brasileira e o governo do Equador.  Veja também:Após bloqueio de bens, Correa expulsa Odebrecht do EquadorOdebrecht propõe perícia independente em usina no EquadorOdebrecht confirma vazamento em hidrelétrica equatoriana Amorim, que está em Nova York acompanhando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não quis entrar no mérito das acusações do governo equatoriano contra a Odebrecht e suas sócias na construção da usina San Francisco. "Não podemos prejulgar as reclamações do Equador. Sabemos que a Odebrecht fez uma oferta razoável (para chegar a um acordo). Mas ela é parte de um consórcio. Não pode resolver sozinha", disse o chanceler. "Estamos dando acompanhamento à empresa, estamos dando toda proteção adequada a uma empresa brasileira de renome e que tem grandes realizações em vários países", acrescentou.  Amorim disse ter sido informado pelo embaixador brasileiro em Quito que dois diretores da Odebrecht já deixaram o Equador e outros dois estão abrigados na embaixada. Eles estão impedidos de sair do país pelo decreto assinado na terça-feira pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, o mesmo que determinou a ocupação da hidrelétrica. Segundo o chanceler, eles não sofreram ameaça física, nem estão sob ordem de prisão. O governo equatoriano responsabiliza a Odebrecht e seus sócios por falhas detectadas na usina. Correa chegou ainda a acusá-las de corromper funcionários equatorianos. Celso Amorim disse que as ações do governo equatoriano, que classificou de "preventivas", não configuram confisco de bens de uma empresa brasileira, uma vez que a hidrelétrica de San Francisco é de propriedade da equatoriana Hidropastaza.

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