Crise em Honduras pode gerar onda de golpes na AL, diz Fidel

Em novo artigo, líder cubano afirma que não-restituição de Manuel Zelaya colocará a América Latina em risco

Reuters e Efe,

11 de julho de 2009 | 09h33

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou em novo artigo que a América Latina corre o risco de ser assolada por uma onda de golpes de Estado militares se o presidente de Honduras deposto, Manuel Zelaya, não for restituído. Em sua coluna publicada na noite de sexta-feira, 10, Fidel disse que, dependendo do resultado da crise política hondurenha, líderes militares direitistas treinados pelos EUA poderiam voltar suas armas contra os governos.

 

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"Se o presidente Manuel Zelaya não foi reintegrado ao cargo, uma onda de golpes de Estado ameaça varrer muitos governos da América Latina, que estará à mercê dos militares de extrema direita, educados com a doutrina de segurança da Escola das Américas", escreveu Fidel em mais uma de sua Reflexões, intitulada Morre o golpe ou morrem as Constituições. O líder cubano refere-se à escola militar americana responsável pelo treinamento de milhares de soldados e oficiais latino-americanos.

 

Fidel reforça o argumento usado por Zelaya de que é um "direito dos povos da América Latina eleger os seus governantes", e por isso o presidente deposto deveria ser reconduzido ao cargo. O líder cubano afirma ainda que Washington pressionou Zelaya para negociar um "humilhante perdão" pelas ilegalidades que é acusado pelo governo golpista, e que o país está "ocupado pelas Forças Armadas dos EUA", que possuem uma base militar no local.

 

No artigo, Fidel assegura que enquanto o presidente americano, Barack Obama, declarava que o único presidente constitucional de Honduras é Zelaya, "em Washington, a extrema direita manobrava para que [Zelaya] negociasse um humilhante perdão". "Era óbvio que tal ato significaria entre os seus e no mundo o seu desaparecimento da cena política".

 

Fidel Castro, de 82 anos, não é visto em público desde que sofreu uma cirurgia no intestino há quase três anos. Ele foi substituído no comando de Cuba pelo irmão Raúl Castro.

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