Crise global e furacões afetam finanças de Cuba

Três furacões e a crise financeira global deixaram Cuba com problemas de liquidez, o que forçou o governo a reprogramar pagamentos da dívida e buscar financiamento, segundo empresários e fontes diplomáticas. A França foi o último governo ao qual Cuba informou que necessita reprogramar o vencimento das dívidas, segundo diplomatas europeus. "Há alguns meses, Cuba disse ao Japão e à Alemanha que não poderia cumprir seus pagamentos de dívida, mas esses problemas aparentemente foram solucionados. Agora, a França recebeu a mesma notícia", disse um diplomata. A informação foi confirmada por empresários. Cuba, cuja dívida soberana passou de 15,4 bilhões de dólares em 2007 para 16,5 bilhões agora, há pouco tempo reestruturou sua dívida com a China. O governo não respondeu imediatamente a uma solicitação de informações, mas o ministro da Economia, José Luis Rodríguez, disse recentemente que a ilha, como outros países da região, enfrentará um 2009 difícil por causa da crise global. Vários empresários estrangeiros, que como os diplomatas pediram anonimato, disseram que os pagamentos nos bancos estatais se desaceleraram. Transferências que normalmente levavam 48 horas agora demoram até duas semanas. "Parece que eles não têm o dinheiro na mão, e por isso se atrasam, pagam um e atrasam o pagamento de outros", disse um diplomata ocidental. Outro estrangeiro afirmou que sua empresa havia deixado de trazer dinheiro novo ao país. Mas, apesar dos problemas, poucos apontam o risco de uma moratória. "Isso passaria um sinal muito negativo", disse um executivo. A economia cubana recuperou-se nos últimos anos, depois de mais de uma década de crise provocada pela perda da ajuda soviética, no começo dos anos 1990. Mas os furacões Gustav, Ike e Paloma provocaram neste ano prejuízos de cerca de 10 bilhões de dólares, o que equivale a cerca de 20 por cento do PIB da ilha, e o país sofreu uma drástica queda de preços do níquel, o principal produto em sua pauta de exportações. "A crise está afetando sua fonte de divisas. É um problema básico de contabilidade: está entrando menos dinheiro do que estão gastando", disse um empresário estrangeiro. A crise financeira internacional piorou as condições de crédito para a ilha comunista, submetida a mais de quatro décadas a um embargo econômico dos EUA. O país depende fortemente de importações. Cuba não é membro do FMI nem de qualquer outra agência multilateral de crédito, e sua dívida está classificada pela empresa Moody's na categoria Caa1, "especulativa e ruim". (Reportagem adicional de Esteban Israel)

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