Crise ruralista causa engarrafamento em rio argentino

No rio da Prata, mais de 90 navios estão paralizados à espera de atracar no porto de Buenos Aires

Ariel Palacios - O Estado de S.Paulo,

15 de junho de 2008 | 18h47

O conflito do governo de Cristina Kirchner com os ruralistas está provocando um inédito "engarrafamento" no rio da Prata. Mais de 90 navios de carga estão paralisados  e esperam autorização para atracar nos portos de Buenos Aires e Rosario. Eles devem ser carregados com produtos agrícolas. No entanto, os cereais e as oleagionosas, por enquanto, estão retidos pelo bloqueio ruralista. A paralisação de quase uma centena de navios provoca em média uma prejuízo de US$ 5 milhões diários. Enquanto isso, o desabastecimento de alimentos assola os comércios nas principais cidades da Argentina, já que as rodovias estão bloqueadas por piquetes de ruralistas e caminhoneiros (estes, por seu lado, fazem piquetes contra os agricultores, o que gera o "duplo piquete" rodoviário). Segundo Juan Calos Vasco, diretor-executivo da Associação de Supermercados, a cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana (onde reside mais de um terço da população argentina) a escassez de alimentos nas gôndolas se agravará a partir de terça-feira, dia 17. O conflito, que arrasta-se há três meses, gera graves incertezas sobre o futuro da economia e leva os argentinos a um consumo mais precavido. Pela primeira vez desde o fim da crise de 2001-2002, uma data comemorativa apresenta queda nas vendas. Esse foi o caso do Dia dos Pais, celebrado neste domingo (15) na Argentina, que registrou uma queda de 10% em suas vendas em relação a 2007. A desconfiança sobre a estabilidade do país também alastra-se no exterior. Os piquetes nas estradas, manifestações e choques violentos entre grupos rivais levaram as embaixadas dos EUA, Grã-Bretanha ou Canadá alertam em seus sites na internet sobre os riscos de trafegar pela Argentina. Incêndios  No fim de semana, estranhos incêndios intencionais foram registrados em fazendas de ativistas ruralistas, afetando um total de 3 mil hectares em diversos municípios da província de Buenos Aires. O fogo, além de atingir áreas de plantio, também afetou silos de cereais. Os agricultores suspeitam que trata-se de pressões de aliados do governo para que os ruralistas desistam dos protestos. Pesquisa  Uma pesquisa realizada pela Universidade Aberta Interamericana indicou que 21,4% dos argentinos possuem uma opinião "ruim" sobre a presidente Cristina. Outros 20,2% têm uma imagem "muito ruim". Para 27,9%, a opinião é "regular". Somente 7,7% possuem uma imagem "muito boa" da presidente, enquanto que 16,7% a consideram "boa". A pesquisa também indica que somente 28,1% dos argentinos criticam as reivindicações dos ruralistas. Mas, 64,5% consideram-nas "legítimas".

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