Marco Brindicci/Reuters
Marco Brindicci/Reuters

Cristina acusa jornais de apossarem-se de fábrica de papel na ditadura

Veículos críticos à presidente denunciam tentativa de cercear liberdade de imprensa

estadão.com.br,

24 de agosto de 2010 | 19h35

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner publicou nesta terça-feira, 24, um informe no qual acusa os dois maiores jornais da Argentina, o Clarín e o La Nación, de se apropriar de maneira ilegal da maior fabricante de papel jornal do país, a Papel Prensa.

Segundo o informe de 20 mil páginas, apresentado na Casa Rosada em cadeia nacional de rádio e TV, os jornais são cúmplices da ditadura militar de 1976-1983 e se apropriaram de forma ilegal da empresa, da qual o Estado é acionista minoritário.

"Verificou-se indubitavelmente transferências acionárias ilegais para os diários participantes", disse o diretor da Papel Prensa e conselheiro do governo, Alberto González Arzac.

 

Após a leitura do informe, a presidente disse que o material será enviado aos organismos competentes. Na semana passada, o governo decidiu proibir o grupo Clarín de vender pacotes de internet banda larga.

Mais cedo, os jornais envolvidos desqualificaram o relatório, que classificaram como um plano do governo para controlar a produção de papel jornal e controlar uma matéria-prima essencial na produção de informação, cerceando assim a liberdade de expressão.

 

A Papel prensa, que abastece mais de 130 jornais no país, pertencia ao banqueiro David Graiver, vinculado ao grupo guerrilheiro Motoneros. Ela foi vendida ao Clarín, o La Nación e ao falido La Razón, após sua morte em um acidente aéreo. Segundo o governo, a viúva do empresário e seus filhos atuaram sob ameaça para ceder o controle da empresa aos jornais e à ditadura.

Com AP e Efe

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