Cristina cede e remove telefônicas da lei de radiodifusão

Presidente argentina retira de projeto a possibilidade de empresas do setor controlarem TV a cabo

Ariel Palacios, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2009 | 11h19

A presidente argentina, Cristina Kirchner, promoveu na segunda-feira, 14, uma manobra estratégica ao anunciar que removerá da polêmica lei de radiodifusão a possibilidade de as empresas telefônicas participarem do novo mapa das empresas de mídia na Argentina e controlarem TVs a cabo.

A presença das telefônicas provocava a rejeição dos parlamentares de esquerda e de centro-esquerda, grupo crucial para aprovar a nova lei, já que o governo está com um número apertado de deputados para conseguir sua aprovação.

"Desta forma, eliminamos qualquer dúvida que alguns setores tinham", afirmou Cristina durante uma breve entrevista coletiva. Os aliados do governo pretendem debater e votar ainda nesta semana o projeto na Câmara de Deputados.

A lei que Cristina e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, querem fazer aprovar reduz o número de licença dos atuais grupos de mídia - aos quais também impõe limites geográficos -, aplica um férreo controle do Poder Executivo sobre as concessões de licença e favorece a presença de sindicatos e organizações sociais (tradicionalmente aliados dos Kirchners) na mídia.

A oposição argumenta que a nova lei restringe a liberdade de imprensa, enquanto a presidente sustenta que elimina monopólios do setor, principalmente do Grupo Clarín - detentor de emissoras de TV aberta e a cabo e de rádios, além de jornais diários de circulação nacional especializados em economia e esportes -, com o qual o governo está em pé de guerra há um ano.

A oposição pretende adiar a votação para dezembro, quando toma posse o novo Parlamento, no qual o governo será minoria.

Serviço Secreto

 

Na quinta-feira, entre 180 e 200 inspetores da Receita Federal argentina apareceram inesperadamente em várias empresas do Grupo Clarín para uma operação de fiscalização sem precedentes. No dia seguinte, o governo afirmou que não havia ordenado a blitz.

No entanto, segundo o jornal Clarín, a operação, na qual foram apreendidos documentos e computadores, teria sido ordenada por Francisco Larcher, o número 2 da Secretaria de Inteligência (Side), o serviço secreto argentino. "Essa operação teve a autorização do (ex-presidente Néstor) Kirchner", sustentou o jornal Perfil.

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