Cristina é a nona mulher a chegar à Presidência na América

A primeira chefe de Estado eleita pelo povo foi a nicaragüense Violeta Barrios de Chamorro

Efe,

29 de outubro de 2007 | 05h20

Cristina Fernández de Kirchner, ganhadora das eleições realizadas neste domingo na Argentina, segundo dados oficiais provisórios, é a nona mulher a chegar à Presidência em um país da América. Veja também: Veja galeria de fotos Perfil de Cristina Especial: as eleições argentinas Cristina Kirchner vence com quase 44% dos votos Candidatos argentinos reconhecem vitória de Cristina Kirchner Cristina Kirchner se declara vitoriosa e faz discurso às mulheres Oposição denuncia irregularidades nas eleições argentinas Ministro nega fraude em eleição na Argentina Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita'  Cristina, que obteve mais de 42% dos votos segundo os primeiros dados oficiais provisórios divulgados sobre o pleito argentino, deve receber a faixa presidencial das mãos de seu marido, Néstor Kirchner, atual chefe de Estado argentino, em 10 de dezembro. A primeira mulher a chegar à Presidência na América foi, como Cristina, argentina e esposa de presidente. Em 1º de julho de 1974 María Estela Martínez, "Isabelita", assumiu o comando do país após a morte do marido, o presidente Juan Domingo Perón, de quem havia sido candidata a vice nas eleições de 1973. Ela era a terceira esposa de Perón. Os 20 meses em que esteve na Presidência, até o golpe militar de março de 1976, foram a ante-sala de um dos períodos mais obscuros da história da Argentina. Após "Isabelita", que vive na Espanha e é reivindicada pela Justiça de seu país para responder pelos primeiros indícios do terrorismo de Estado que enlutou a Argentina de 1976 a 1983, a segunda mulher presidente na América foi a boliviana Lidia Gueiler de Guevara, também interina. Gueiler, que era presidente da Câmara dos Deputados, foi escolhida presidente pelo Congresso em 1979 após um sangrento golpe de Estado e foi derrubada por outro menos de um ano depois. A Bolívia acaba de celebrar 25 anos de democracia ininterrupta. O Haiti também teve uma presidente interina que não chegou a completar um ano de mandato: Ertha Pascal-Trouillot. Ela era juíza da Suprema Corte do Haiti quando os militares que tinham dado um golpe de Estado lhe entregaram o poder em março de 1990 para que convocasse eleições. Em fevereiro de 1991, Pascal-Trouillot repassou o comando do país a Jean Bertrand Aristide, ganhador do pleito realizado em novembro. A primeira chefe de Estado "de fato" na América foi a nicaragüense Violeta Barrios de Chamorro. Com 54,7% dos votos, Violeta, viúva de um jornalista assassinado, derrotou nas eleições de fevereiro de 1990 Daniel Ortega, que buscava então a reeleição e hoje é de novo presidente da Nicarágua. Seu mandato durou mais de seis anos. Bem diferente foi o mandato da equatoriana Rosalía Arteaga, que foi presidente de seu país por apenas 48 horas. O Congresso a nomeou presidente "temporária" depois de ter destituído Abdala Bucaram, de quem era vice-presidente, por "tempo limitado, estritamente indispensável e necessário" até a designação de um "presidente constitucional". Renunciou antes de o Congresso eleger Fabián Alarcón. Janet Jagan, da Guiana, compartilha com a argentina "Isabelita", e, possivelmente com a argentina Cristina, o fato de ter sido primeira-dama antes de chegar à Presidência. Jagan também foi primeira-ministra antes de ocupar o cargo máximo da nação, e, assim como seu marido, Cheddi Jagan, que também foi primeiro-ministro e presidente, militou no comunismo, mas moderou suas posições com o tempo. Foi escolhida democraticamente e renunciou à Presidência por problemas de saúde antes de completar dois anos no cargo. Mireya Moscoso, presidente do Panamá de 1999 a 2004, também foi eleita para o posto nas urnas. Quando chegou à Presidência era viúva de Arnulfo Arias Madrid, que antes de se casar com ela tinha sido presidente do Panamá em três ocasiões. A seguinte mulher presidente na América, a socialista chilena Michelle Bachelet, chegou ao poder com 53,49% dos votos em um segundo turno realizado em janeiro de 2005. Bachelet é filha de um general já falecido e que se manteve fiel a Salvador Allende depois do golpe de Augusto Pinochet (1973). A décima mulher presidente na América pode ser a americana Hillary Clinton, pré-candidata democrata às eleições presidenciais de 2008. É senadora e ex-primeira-dama, com perfil próximo ao da argentina Cristina.

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